O Brasil na imprensa alemã (20/01)

Mídia da Alemanha destaca drama da falta de oxigênio em Manaus e negligência do governo Bolsonaro na crise do coronavírus. Mas não poupa críticas a brasileiros que se aglomeram. “Parecem ter esquecido a pandemia.”Frankfurter Allgemeine Zeitung – Onde o oxigênio é artigo de luxo (17/01)

As cenas que se desenrolam na metrópole amazônica brasileira de Manaus são dramáticas. Hospitais sobrecarregados, caixões sendo carregados, pacientes sendo levados para fora – e o preço do oxigênio disparando. Ao mesmo tempo, o ressentimento está aumentando entre o povo.

As fotos e relatos de Manaus chocaram todo o país e parecem ter abalado a indiferença que se instalara durante a época de festas. Durante o Natal e o Ano Novo, muitos brasileiros pareciam ter esquecido a pandemia e deixado cair suas máscaras: praias e bares lotados, além de uma enxurrada de atividades em shopping centers, festas e reuniões particulares foram expressões disso, desencadeando uma segunda onda da pandemia. Com consequências mortais.

O presidente Jair Bolsonaro não reconhece a gravidade da situação, algo que faz desde o início da pandemia. Ele repetidamente debocha das medidas recomendadas.

Os críticos acusam Bolsonaro de continuar a minimizar a crise. Dizem também que ele minou os esforços para retardar a propagação da pandemia. Alguns acusam Bolsonaro e o governo de simplesmente aceitarem o drama de Manaus e a morte de mais de mil brasileiros todos os dias. Muitos brasileiros, assim como alguns políticos, estão pedindo a destituição dele do cargo. O Judiciário também se tornou ativo: exigiu, por exemplo, que o governo elaborasse um plano de emergência para Manaus.

A crise do coronavírus há muito tempo se tornou um campo de batalha político entre Bolsonaro e seus oponentes, dificultando ou mesmo impossibilitando a cooperação necessária. E ninguém espera que o Bolsonaro mude.

Spiegel Online – Praias cheias, apesar do coronavírus (18/01)

Centenas de milhares de pessoas infectadas pelo coronavírus morreram no Brasil – e ainda assim muita gente não quer aceitar restrições. Isso pode ser observado, por exemplo, nas praias do Rio.

Apesar dos números crescentes, as praias da metrópole brasileira estão cheias. Visitantes se amontoam entre os guarda-sóis coloridos das mundialmente famosas praias de Copacabana e Ipanema, como visto nas fotos de domingo. Muitos não estavam usando máscaras.

No domingo, as ruas ao longo das praias de Copacabana, Ipanema e Leblon e o parque do Aterro do Flamengo foram fechados ao tráfego de veículos. Os moradores do Rio podem utilizá-los como áreas de lazer. Janeiro é época de férias no Brasil.

Com mais de 200 mil mortos, o Brasil é o país mais atingido no mundo pela pandemia em termos absolutos, depois dos EUA. O presidente de extrema direita Jair Bolsonaro sempre minimizou o perigo representado pelo vírus, e mais recentemente expressou repetidamente dúvidas sobre as vacinas. Ele é criticado há meses por sua gestão da crise.

Frankfurter Rundschau – Vacinação é encenada aos pés do Cristo (19/01)

A campanha de vacinação no Brasil é acompanhada por imagens elaboradas. No Rio de Janeiro, por exemplo, a vacina foi levada de helicóptero para a famosa estátua do Cristo.

Após as primeiras vacinas contra o coronavírus terem sido administradas no estado mais populoso, São Paulo, no domingo, o governo central brasileiro agora também iniciou sua campanha de vacinação.

No Rio, a primeira vacinada, Terezinha da Conceição, de 80 anos de idade, recebeu a dose em um local nada menos que ao pé da famosa estátua do Cristo.

Mas como numerosos políticos e representantes da mídia haviam se reunido na estreita plataforma aos pés da estátua, as críticas ao evento, rico em imagens, não demoraram a chegar. O estado do Rio de Janeiro é uma das regiões do Brasil mais afetadas pela pandemia.

Para o presidente Jair Bolsonaro, que sobreviveu a uma infecção por coronavírus e constantemente minimiza o perigo do vírus, tanto o início da campanha de vacinação quanto a aprovação da vacina chinesa Coronavac representam uma sensível derrota política.

RPR/ots

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