O cérebro não tem sexo

Um estudo israelense mostrou que, em vez de partes nitidamente “masculinas” ou “femininas”, cada cérebro humano mistura essas características de maneira única

Os cérebros de homens e mulheres são diferentes? Muita gente pensa que sim, e até se apontam características associadas a cada sexo – homens são mais analíticos, mulheres dão mais espaço às emoções, e por aí vai. O avanço das tecnologias de imagem do cérebro já permite estudar esse assunto com mais precisão e, por enquanto, os resultados obtidos vão decepcionar quem aposta nas diferenças cerebrais entre os gêneros.

Cientistas da Universidade de Tel-Aviv (Israel) estudaram imagens de ressonância magnética de mais de 1.400 homens e mulheres de todas as idades e de diversas partes do mundo, como australianos, americanos, alemães e chineses. Os pesquisadores localizaram dez regiões cerebrais que tendem a indicar diferenças de gênero, entre as quais estão os dois lados do giro frontal superior, o núcleo caudado e os dois hemisférios do hipocampo. Mas as diferenças apresentadas não superam o limite mínimo em termos estatísticos. Apenas 8% das imagens eram de pessoas nas quais todas as regiões cerebrais se mostraram “masculinas” ou “femininas”.

“A maioria dos humanos tem cérebros compostos por mosaicos de características que os tornam únicos”, afirma a professora de psicologia Daphna Joel, líder do estudo. “Algumas são mais comuns nas mulheres em comparação aos homens, e outras são mais comuns nos homens em relação às mulheres, e existem ainda outras comuns a homens e mulheres. (…) As diferenças que você vê são diferenças entre médias. Cada um de nós é um mosaico único”, reforça Daphna no estudo publicado em dezembro na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

Outros pesquisadores já haviam descoberto que algumas das aparentemente claras diferenças entre os cérebros masculinos e femininos, como o sentido espacial, podem ser mais culturais do que biológicas. Para reforçarem suas conclusões, Daphna e sua equipe analisaram um estudo feito em uma grande universidade americana, envolvendo 157 mulheres e 106 homens, cujo objetivo era detectar diferenças de pensamento entre os gêneros. Os temas verificados, considerados bem estereotípicos em relação às diferenças de gênero, incluíam afazeres domésticos, assistir a filmes pornográficos, cosméticos, prática de golfe e jogos de azar. O estudo não revelou nenhum padrão consistente que permitisse a alguém afirmar se as características cerebrais eram de homem ou mulher.

“Em outras palavras, mesmo quando consideramos comportamentos de gênero altamente estereotípicos, há bem poucas pessoas que estão consistentemente no ‘extremo feminino’ ou no ‘masculino’, mas há muitos indivíduos que têm simultaneamente características de ‘extremo feminino’ e extremo masculino’”, afirmam os pesquisadores.

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