O deslumbrante céu noturno do Atacama

A atmosfera límpida do deserto chileno, sem interferência de poluição atmosférica ou luminosa, é perfeita para observações astronômicas

Sem poluição atmosférica ou visual, o céu noturno do deserto do Atacama, no Chile, é um deslumbre para os apreciadores e estudiosos da astronomia. Crédito: ESO/P. Horálek

Aproveitando-se das vantagens da atmosfera límpida do deserto e da distância dos grandes centros urbanos e de suas luzes, o céu do Atacama, no norte do Chile, é perfeito para observações astronômicas.

Uma amostra clara disso é esta fotografia que mostra o coração da Via Láctea sobre o llano (planalto) de Chajnantor, um dos lugares mais altos e secos da Terra. Tal combinação resulta em condições ideais para observar radiação milimétrica e submilimétrica proveniente do espaço, que normalmente é muito absorvida pela atmosfera terrestre. Não surpreende, portanto, que o planalto de Chajnantor seja o lar do Atacama Large Millimeter/submillimiter Array (ALMA), telescópio de última geração do Observatório Europeu do Sul (ESO) que estuda a luz emitida por alguns dos objetos mais frios do universo.

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A foto mostra que, acima das intricadas nuvens de poeira e do intenso brilho de bilhões de estrelas, Marte, Saturno e a estrela Antares fazem um triângulo no céu. O objeto verde difuso à esquerda na imagem, quase imerso na luz da Via Láctea, é um visitante interplanetário chamado Cometa 252P/LINEAR. Esse cometa passou pela Terra em abril de 2016. Embora fosse demasiado tênue para se poder ver a olho nu, sua beleza foi revelada em imagens de longa exposição como esta.

O intrépido observador do céu que aqui vemos demonstra que o planalto de Chajnantor é também um excelente local para observar o céu a olho nu. Ele fornece vistas dos céus do hemisfério sul com uma clareza de tirar o fôlego, remontando aos dias em que as luzes artificiais ainda não enchiam o céu e nos bloqueavam a visão do universo.