O espírito “millennial” em edifícios do Brasil

Impulsionado por conceitos cada vez mais presentes no mundo atual, o mercado imobiliário brasileiro (tradicionalmente resistente a inovações) começa a incorporar o estilo de vida da geração “millennial” (nascidos entre 1980 e meados de 1990) a seus edifícios.

Silvio Kozuchowicz é presidente da SKR, construtora com 32 anos de mercado (Foto: Divulgação / Charles Trigueiro)

Impulsionado por conceitos cada vez mais presentes no mundo atual, como inovação, economia colaborativa, compartilhamento e sustentabilidade, o mercado imobiliário brasileiro (tradicionalmente resistente a inovações) começa a incorporar o estilo de vida da chamada geração “millennial” (grupo de pessoas nascidas entre os anos 1980 e meados dos anos 1990) a seus edifícios.

Para quem ainda desconhece o termo, trata-se de uma geração com um grande poder de compra e que questiona, rompe barreiras, quer inovação – inclusive em sua residência. É cada vez maior o número de moradores (mesmo fora dessa faixa etária) que deseja desfrutar das tecnologias e avanços que essas gerações incorporam ao jeito de morar, trabalhar e interagir com sua cidade.

Com isso, recursos como infraestrutura para internet de alta velocidade e internet das coisas, fechadura que dispensa chave, tomadas USB e até sistema para recarga de carros elétricos começam a fazer parte dos itens oferecidos por novos edifícios residenciais no Brasil.

Em São Paulo, por exemplo, prédios como o Nomad e o Moou (em fase de construção) contarão com recursos como um aplicativo para smartphone, o Compass, como a interface entre moradores, condomínio e uma gama de serviços na região. Com ele será possível, por exemplo, liberar o acesso de visitantes, reservar uma mesa no espaço de coworking do prédio, liberar bicicletas comunitárias do imóvel, chamar prestadores de serviços como personal trainer ou faxineira e conversar com os vizinhos em uma rede social interna, entre outras funções.

O que o morador ganha com esses avanços? De início, comodidade. Como o celular faz parte da nossa vida (segundo a Fundação Getúlio Vargas, há mais de 200 milhões de smartphones no Brasil), nada mais justo do que integrar todos os serviços condominiais a um aplicativo.

Precisa ter sua roupa lavada? Com o sistema de lavanderia online, é só deixar as peças em um armário do prédio e depois ser avisado pelo aplicativo que o serviço foi concluído. Com a integração de dispositivos da internet das coisas, será possível até mesmo ligar a banheira enquanto você está chegando em casa, ativar o sistema de ar condicionado ou apagar as luzes a distância. Em segundo lugar, o morador ganha segurança, pois conta com vários serviços selecionados na tela sem precisar sair de casa. Por exemplo: precisa de uma babá e não tem indicação? O app mostrará um serviço selecionado e em pouco tempo a profissional estará na sua casa.

Em terceiro lugar, podemos citar questões ligadas à sustentabilidade. Carros movidos a eletricidade começam a ganhar espaço nas ruas. Com isso, sistemas para carregar as baterias desses veículos­ nas garagens dos edifícios também passam a integrar­ os recursos oferecidos nesses imóveis. Além disso, estão sendo incorporados sistemas inteligentes para economia de água e luz. Bom para o nosso bolso e para o planeta.

Por fim, existe a questão da vida em comunidade. Ao contrário do que muitos pensam, a tecnologia também pode aproximar pessoas. Junto com essas inovações tecnológicas, as novas gerações privilegiam também conceitos como economia colaborativa e compartilhamento, que já estão sendo incorporados por alguns prédios.

Além da oferta de espaços para coworking, construtoras como a SKR trabalham para ativar as áreas comuns. Isso permite promover uma interação maior entre os moradores e o espaço do condomínio, para que vejam o edifício também como uma comunidade.

Isso será feito com o uso do Compass, que compartilha constantemente informações sobre o condomínio e conecta vizinhos, mas principalmente, já na fase de projeto, oferece espaços realmente acessíveis. Nada de salões de festas isolados e trancados a sete chaves. A inovação do jeito de morar vai muito além da tecnologia.



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