O fantasma das Plêiades

Passagem de nuvem interestelar pelas proximidades da estrela Mérope causa o efeito espectral visto nesta foto do Hubble

Efeito espectral vem da passagem de uma nuvem interestelar nas proximidades da estrela Mérope. Crédito: Nasa/ESA & The Hubble Heritage Team (STScI / AURA), George Herbig & Theodore Simon (Universidade do Havaí)

A Agência Espacial Europeia (ESA) segue homenageando o Halloween com imagens do Hubble relacionadas à data. A exibida acima mostra o que pode acontecer quando uma nuvem interestelar passa muito perto de uma estrela. A Nebulosa Mérope de Barnard, também conhecida como IC 349, é uma nuvem de gás e poeira interestelar viajando pelo aglomerado de estrelas das Plêiades a uma velocidade relativa de 11 quilômetros por segundo. Está passando perto da estrela Mérope, localizada a 0,06 ano-luz de distância da nuvem, o que equivale a cerca de 3.500 vezes a distância entre a Terra e o Sol. Essa passagem está “rasgando” a nebulosa e criando o efeito espectral visto na imagem.

Mérope está localizada fora do quadro, no canto superior direito. A luz da estrela é refletida na superfície da nuvem, que se ilumina e se torna o que os astrônomos chamam de nebulosa de reflexão. Os feixes de luz no canto superior direito, vindos da estrela, são um efeito produzido pelo telescópio, mas os feixes de luz misteriosos do canto inferior esquerdo para o canto superior direito são reais.

Os astrônomos acreditam que a pressão de radiação da estrela está agindo como uma peneira para separar partículas de poeira de tamanhos diferentes. À medida que a nebulosa se aproxima de Mérope, a luz das estrelas desacelera as partículas de poeira, mas as pequenas desaceleram mais do que as grandes. Como efeito, as linhas quase retas que estão chegando em direção a Mérope nesta imagem são feitas de partículas grandes, enquanto partículas de tamanho menor ficam para trás para criar a estrutura no canto inferior esquerdo.

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Situação incomum

A nebulosa continuará sua aproximação a Mérope nos próximos milhares de anos e, futuramente, passará além da estrela, se sobreviver. Estudar a interação da nebulosa com a estrela é importante, pois oferece a chance de observar material interestelar em uma situação incomum e aprender mais sobre poeira interestelar.

A nebulosa perto de Mérope foi descoberta em 1890 por E.E. Barnard no Observatório Lick, na Califórnia. Capturada pelo Telescópio Espacial Hubble da Nasa/ESA em 19 de setembro de 1999, esta imagem foi originariamente publicada no ano 2000.