O futuro que aguarda o Sol

A nebulosa Abell 24: muita cor vermelha e ausência de vida. Foto: ESO

O retrato da nebulosa planetária Abell 24 feito pelo ESO antecipa o que ocorre quando estrelas como o Sol chegam ao fim da vida

 

A nuvem de gás em tons avermelhados retratada na foto é a Abell 24, localizada na constelação do Cão Menor. É uma nebulosa planetária – uma erupção de gás e poeira que ocorre quando uma estrela morre e lança as suas camadas exteriores para o espaço.

Apesar do nome, essas nebulosas nada têm a ver com planetas. O termo foi usado por William Herschel, o descobridor de Urano, numa época em que a astronomia só dispunha de instrumentos de baixa resolução, porque esses objetos nebulosos pareciam planetas gigantes imersos num cosmos escuro.

A Abell 24 é uma antecipação do futuro de estrelas como o nosso Sol. Elas passam a maior parte do tempo a converter hidrogênio em hélio no seu núcleo. No fim da vida, a estrela consome o hélio e se torna instável. Sem poder resistir à atração gravitacional que a comprime, o núcleo da estrela começa a colapsar. A temperatura no centro aumenta drasticamente e as camadas exteriores mais frias se expandem, fazendo a estrela “inchar” e se tornar uma gigante vermelha.

 

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Quando começar essa transformação, o nosso Sol irá se expandir até envolver totalmente os planetas internos (Terra inclusa), aumentando mais de 250 vezes o tamanho atual do seu raio. Ventos fortes expelirão então as camadas gasosas mais exteriores da estrela, dando origem a uma concha de gás que se espalhará na vastidão do espaço.

O lançamento para o espaço da atmosfera de uma gigante vermelha irá futuramente expor o seu núcleo quente e luminoso, que emitirá radiação ultravioleta intensa e ionizará o gás circundante. Essa imagem mostra o tênue brilho do que restou de uma estrela morta há muito tempo.

Essa imagem foi captada no âmbito do programa Joias Cósmicas do ESO (sigla em inglês do Observatório Europeu do Sul), uma iniciativa que visa obter imagens de objetos interessantes, intrigantes ou visualmente atrativos, utilizando os telescópios do ESO (durante períodos em que ele não pode ser empregado em observações científicas) para efeitos de educação e divulgação.

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