O Golias da Bíblia não seria tão gigante assim

Para arqueólogo americano, as proporções do guerreiro filisteu derrotado por Davi são descritas de maneira metafórica

"Davi Agradecendo a Deus Depois da Morte de Golias", pintura de Charles Errard, o Jovem (século 18): o guerreiro filisteu não seria o gigante que se pensava antes. Crédito: Wikimedia

Nas primeiras versões da Bíblia, Golias (o guerreiro filisteu derrotado pelo futuro rei Davi) é apresentado como um gigante, cuja altura seria de “quatro côvados e um palmo” (ou 2,38 metros). Mas as conclusões de uma nova pesquisa recomendam uma revisão dessa medida, segundo os sites Live Science e Science News.

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Considera-se que Golias nasceu no povoado filisteu de Gate. Ocupada inicialmente pelos cananeus entre cerca de 4.700 e 4.500 anos atrás, Gate foi reconstruída mais de um milênio depois pelos filisteus, inimigos dos israelitas segundo o Antigo Testamento. Gate atingiu seu auge durante a Idade do Ferro, há cerca de 3 mil anos, época das referências bíblicas a Golias. Os estudiosos continuam a debater se Davi e Golias eram pessoas reais que se encontraram em batalha naquela época.

As medidas indicadas na Bíblia como a altura de Golias correspondem exatamente à largura das paredes que formam um portal para Gate descobertas em 2019, de acordo com o arqueólogo Jeffrey Chadwick, professor de Arqueologia e Estudos do Oriente Próximo do Centro de Jerusalém da Universidade Brigham Young (EUA). No encontro anual virtual das Escolas Americanas de Pesquisa Oriental ocorrido em 19 de novembro, Chadwick considerou que a descrição bíblica de Golias é metafórica – em sua conclusão, o guerreiro tinha proporções que combinavam com o tamanho e a força da muralha defensiva de Gate.

Medidas diferentes

“Não estamos tentando fazer uma declaração sobre a veracidade da história”, disse Chadwick na ocasião. “A questão é a métrica”, disse ele. “De onde vem, onde poderia ter sido obtida?”

Os restos de Gate estão em Tell es-Safi, em Israel. Uma equipe liderada pelo arqueólogo Aren Maeir, da Universidade Bar-Ilan (Israel), com quem Chadwick colaborou para escavar o portal de Gate, investiga Tell es-Safi desde 1996. Em Gate também foram encontrados um fragmento de cerâmica com dois nomes possivelmente relacionado a Golias e evidências da destruição da cidade cerca de 2.850 anos atrás, por um exército invasor.

Inicialmente, pensava-se que o côvado mencionado na Bíblia era o egípcio, que corresponde a 52,5 centímetros. Segundo Chadwick, porém, avaliações cuidadosas de muitas estruturas escavadas nos últimos anos revelaram que as medidas padrão em Israel diferiam ligeiramente das egípcias. Os edifícios em Gate e várias dezenas de outras cidades da antiga Israel e dos reinos próximos de Judá e Filístia, escavados por outras equipes, foram construídos com base em três medições principais, descobriu Chadwick. Esses incluem um côvado de 54 centímetros (contra o côvado egípcio de 52,5 centímetros), um côvado curto de 38 centímetros e um palmo de 22 centímetros que corresponde à distância ao longo da mão estendida de um adulto.

Grande e forte

As dimensões da alvenaria nesses locais exibem várias combinações das três medidas, disse Chadwick. No assentamento de et-Tell, no norte de Israel, por exemplo, dois pilares na frente do portão da cidade têm 2,7 metros de largura cada, ou cinco côvados de 54 centímetros. Cada um dos quatro pilares internos no portão da cidade mede 2,38 metros de largura, ou quatro côvados de 54 centímetros e um palmo de 22 centímetros. Escavadores de et-Tell consideram essa área como o local da cidade bíblica de Betsaida.

As escavações feitas em 2019 encontraram um dos provavelmente vários portões que permitiam o acesso a Gate através das muralhas defensivas da cidade. Como os pilares internos do portão de et-Tell, as paredes do portão de Gate descoberto mediam 2,38 metros de largura, ou quatro côvados e um palmo. Essa é a estatura atribuída a Golias pela Bíblia.

“O escritor antigo usou uma métrica arquitetônica real daquela época para descrever a altura de Golias, provavelmente para indicar que ele era tão grande e forte quanto as paredes de sua cidade”, disse Chadwick.

Ouvido pelo site Science News, o arqueólogo e estudioso do Antigo Testamento Gary Arbino, do Seminário Gateway (EUA), considera que Chadwick “precisará fazer mais pesquisas para ir além de uma ideia intrigante”. Para começar, Arbino sugere, é necessário estabelecer que a medida aplicada a Golias, quatro côvados e um palmo, era comumente usada na época como uma frase que significava figurativamente “grande e forte”.

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