O novo produto foi criado a partir da raiz de mandioca

Fruto de uma pesquisa do Instituto de Química de São Carlos, da USP, a tecnologia, menos poluente, já se encontra em desenvolvimento e pode significar uma revolução no setor de embalagens

O Brasil consome cerca de 4 milhões de toneladas de plástico por ano, mas recicla menos de 20% desse total. O plástico biodegradável pode mudar esse panorama.

Imagine as sacolas de supermercados produzidas com plástico biodegradável. Pois esse produto já está em desenvolvimento e, num futuro relativamente próximo, poderá ser encontrado no mercado. A nova tecnologia é resultado de uma pesquisa conduzida por Eliangela Teixeira, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC), da USP.

A partir da raiz da mandioca bruta e de seus derivados (amido e resíduos), a pesquisadora obteve o amido termoplástico (TPS), que é a matéria-prima empregada na produção do plástico biodegradável. Seu estudo também incluiu a procura de alternativas destinadas a melhorar a qualidade dos TPS, deixando- os mais flexíveis e resistentes.

Eliangela constatou que a presença de açúcares na raiz e nas fibras no resíduo (subproduto da industrialização do TPS) é o principal diferencial em relação ao TPS obtido a partir do amido industrial. Depois de compor um TPS com fibras celulósicas, que representam de 15 a 50% da composição do resíduo, a pesquisadora obteve um TPS com melhor desempenho mecânico. Outro bom resultado conseguido foi a produção de nanofibras a partir das microfibras residuais, que aumentam a resistência do amido termoplástico em relação à absorção de umidade.

De acordo com Eliangela, os TPS podem ser utilizados nos setores agrícola – na confecção de tubos para plantio – e de embalagens. “Como esses segmentos empregam um grande volume de plásticos de origem petroquímica, os TPS podem contribuir para melhorar o gerenciamento do lixo e diminuir o impacto ambiental dos plásticos nãobiodegradáveis”, afirma a pesquisadora.

Segundo dados da Associação Brasileira de Embalagens, o Brasil consome aproximadamente quatro milhões de toneladas de plástico por ano, mas recicla menos de 20% desse total. Tendo isso em vista, outro estudo – esse desenvolvido pela pesquisadora Cynthia Ditchfield, da Escola Politécnica da USP – obteve como resultado embalagens de plástico de amido de mandioca biodegradáveis e comestíveis. O produto também possui propriedades antimicrobianas que fazem o filme de plástico mudar de cor de acordo com o estado de conservação do alimento – característica que pode representar um ótimo atrativo comercial.

COMPARTILHAR