OMS define como doença o vício em videogames

Nova revisão da CID, que inclui os jogos eletrônicos, foi publicada no sábado e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022

Agora é oficial: o vício em videogames e outros tipos de jogos eletrônicos entrou para a classificação de doenças da Organização Mundial da Saúde (OMS) como um dos problemas de saúde mental da nova versão da CID (Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde).

Após um ano e meio de deliberações sobre a nova revisão desse listado internacional para relatar doenças e condições de saúde, todos os 194 estados membros da OMS concordaram em adotar sua 11a versão (CID-11). A determinação foi publicada no sábado e entrará em vigor em 1º de janeiro de 2022.

Desde o rascunho escrito em 2017, a CID-11 incluiu a “desordem por jogo” na subcategoria denominada “Transtornos devidos ao uso de substâncias ou comportamentos aditivos” ao lado do alcoolismo, do vício em jogos de azar e, curiosamente, de uma seção dedicada à dependência prejudicial do uso de cannabis.

Os 55 mil registros feitos pelo órgão da ONU só classifica as doenças, lesões e causas de morte, não sendo de sua competência dar indicações de como diagnosticar, tratar e medicar. O intuito é padronizar mundialmente as questões de saúde e ajudar os governos, autoridades médicas e – neste caso, pais e educadores – a identificar os riscos e tomarem providências cabíveis.

DEFINIÇÃO: Distúrbio por jogo
O transtorno do jogo é caracterizado por um padrão de comportamento persistente ou recorrente dessas atividades (videogames ou qualquer tipo de jogo digital), que pode ser online ou offline, sendo manifestado por:
1- Descontrole do ato (por exemplo, início, freqüência, intensidade, duração, término, contexto);
2- Prioridade crescente dada ao jogo, na medida em que o mesmo tenha precedência sobre outros interesses de vida e atividades diárias;
3- Continuação ou escalonamento de jogar independente da ocorrência de consequências negativas. O padrão de comportamento é de severidade suficiente para resultar em prejuízo significativo nas áreas pessoal, familiar, social, educacional, ocupacional ou outras áreas importantes de funcionamento.
O padrão de comportamento de jogo pode ser contínuo ou episódico e recorrente. O comportamento de jogo e outras características são normalmente evidentes durante um período de pelo menos 12 meses para que um diagnóstico seja atribuído, embora a duração necessária possa ser encurtada se todos os requisitos de diagnóstico forem cumpridos e os sintomas forem severos.
Exclusões:
Jogos perigosos (QE22)
Transtorno bipolar tipo I (6A60)
Transtorno bipolar tipo II (6A61)