Onde o Mar Cáspio está secando

Projeções indicam que, até o final deste século, o maior corpo d’água interior do planeta poderá perder uma área quase do tamanho de Santa Catarina devido ao aquecimento global

Foto obtida em julho deste ano mostra sedimentos acumulados na parte norte do Mar Cáspio, a região que tende a secar até o fim do século. Crédito: Lauren Dauphin/Nasa Earth Observatory, com dados Modis da Nasa Eosdis Lance e Gibs/Worldview

Em muitas partes do mundo, os níveis do mar estão subindo devido ao aquecimento global. Mas os cientistas observam que o aquecimento e o aumento da evaporação provavelmente terão consequências diferentes em relação aos mares e lagos interiores.

O portal Earth Observatory, da Nasa, abordou um desses casos recentemente: o do Mar Cáspio, o maior corpo d’água fechado e interior da Terra (tecnicamente um lago), atualmente com 371 mil quilômetros quadrados de área – uma área superior à de Mato Grosso do Sul. O Cáspio banha terras de cinco países: Rússia, Azerbaijão, Irã, Cazaquistão e Turcomenistão. O que está se passando ali não tem exatamente relação com outro caso traumático no interior da Ásia, o do Mar de Aral. Mas não deixa de ser preocupante.

Segundo os cientistas, são previstos rápidos declínios nos níveis de água do Cáspio nas próximas décadas e séculos. Dados de altimetria de radar coletados por vários satélites e compilados pelo Global Water Monitor da Nasa indicam que os níveis de água já estão caindo ali desde meados da década de 1990.

O Cáspio em foto de 2003. Crédito: Jeff Schmaltz, Modis Rapid Response Team, Nasa/GSFC
Consequências ecológicas

Por uma estimativa, os níveis de água do Cáspio podem baixar de 9 a 18 metros até o final do século 21. Isso já bastaria para o lago perder cerca de um quarto de sua área e deixar a descoberto cerca de 93 mil quilômetros quadrados de terra. Essa é uma área pouco menor que Santa Catarina e quase tão grande quanto Portugal.

Grande parte da nova terra viria do norte do Cáspio. Essa zona rasa detém apenas 1% do volume do lago, e sua profundidade média é de 5 a 6 metros. Para efeito de comparação, as partes mais profundas do lago se estendem por mais de 1.000 metros abaixo do nível do mar.

O espectrorradiômetro de imagem de resolução moderada (Modis) no satélite Aqua da Nasa capturou a imagem em cores naturais do norte do Mar Cáspio reproduzida acima em 17 de julho de 2021. Os sedimentos suspensos levados pelos rios Volga e Ural que afluem haviam descolorido as águas na parte norte do lago, enquanto os ventos também podem ter levantado sedimentos.

A perda da parte norte do Cáspio pode ter consequências ecológicas importantes. Suas águas rasas estão repletas de moluscos, crustáceos, peixes e pássaros. Focas criam seus filhotes no gelo do inverno, que geralmente só se forma nessa parte do lago.

“As atuais áreas protegidas no Mar Cáspio, a maioria das quais cobrem ecossistemas costeiros, incluindo pântanos altamente cobiçados, como o delta do Volga e outros locais Ramsar [pântanos de importância internacional com o nome da cidade costeira de Ramsar, no Irã] serão transformados a ponto de se tornarem irreconhecíveis”, escreveu um grupo de cientistas europeus na revista Communications Earth & Environment.

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