Para proteger Lago Erie, em Ohio, população dá a ele status de pessoa

Numa estratégia inédita, os moradores da cidade de Toledo (Ohio-EUA), declararam que o corpo de água como pessoa e assumiram sua guarda compartilhada

Grande quantidade de massa podre das algas que tomam o Lago Eire afasta banhistas. (Crédito Ohio Department of Natural Resources Coastal Management)

Numa estratégia inédita para proteger o Lago Erie da poluição, os moradores da cidade de Toledo, no estado de Ohio (EUA), declararam que o corpo de água de cerca de 900 metros quadrados como uma pessoa.

Em 2011, o lago começou a sofreu uma intensa proliferação de algas em resposta à poluição. As florações de algas acontecem quando os ambientes aquáticos são expostos a níveis excessivos de nutrientes como fósforo e nitrogênio. Quando as algas crescem, elas sugam o oxigênio da água, bloqueiam o sol dificultando as outras formas de vida aquática, entopem os motores de barcos que navegam na superfície e se arrastam até a praia em massas apodrecidas que embrulham o estômago de qualquer um, além de afastar os banhistas.

De acordo com um relatório, compilado por mais de 20 cientistas, o florescimento de 2011 foi alimentado por fertilizantes carregados de fósforo que foram varridos dos campos de milho e soja durante fortes tempestades. Para completar, correntes fracas e ventos calmos impediram a movimentação das águas, que poderiam ter contido o crescimento desenfreado das algas. Com o passar dos anos, o problema se repetiu reiteradas vezes.

Proliferação de algas cobriu 1/5 do Lago Erie em 2011, em Toledo (Ohio, EUA).

O Lago Erie é uma fonte crucial de água potável para a área de Toledo, e as proliferações de algas passaram a interromper esse fornecimento para cerca de 500.000 habitantes. O sentimento de impotência estava tomando os moradores da região diante do estado do lago.

Mas ativistas ambientais locais encontraram uma alternativa nunca antes experimentada: se votassem coletivamente para declarar o Lago Erie uma pessoa – como uma criança que tem guarda compartilhada entre todos os residentes – o corpo de água poderia obter os mesmos direitos legais de proteção que tem um humano (ou uma corporação, nos EUA). Em uma eleição especial esta semana, 61% dos moradores de Toledo apoiaram a ideia, contra 39%, que foram contra.

Agora os moradores poderão processar os poluidores e fazer com que paguem pela limpeza e manutenção do corpo de água. O que atinge diretamente alguns agricultores locais, cujos negócios contribuíram para a poluição no lago. A batalha promete ser dura. Mas se trouxer bons resultados pode abrir um precedente na defesa do meio ambiente no país.

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