‘Parente perdido’ do tricerátops é achado em fazenda do dono da CNN

O sierracerátops descoberto em propriedade de Ted Turner viveu no Novo México há cerca de 72 milhões de anos, 6 milhões de anos antes de seu parente mais famoso

Concepção artística do Sierraceratops turneri. Crédito: Universidade de Bath

Um fóssil encontrado há mais de 20 anos na fazenda do fundador da CNN, Ted Turner, foi identificado como uma nova espécie de dinossauro com chifres (ceratopsídeo) não encontrado anteriormente na América do Norte.

O novo dinossauro, Sierraceratops turneri, viveu no Novo México há cerca de 72 milhões de anos. Sua descoberta sugere que muitos dinossauros ainda precisam ser descobertos na América do Norte.

Sierraceratops refere-se ao Condado de Sierra, Novo México, onde o fóssil foi descoberto, e ao grupo do qual a espécie faz parte, Ceratopsidae. O nome da espécie turneri homenageia Ted Turner, fundador da Cable News Network (CNN), dono da fazenda onde o fóssil foi descoberto e que permitiu sua coleta por paleontólogos e voluntários.

Identificação revista

A equipe de pesquisa, liderada pelo Museu de História Natural e Ciência do Novo México (NMMNHS), dos EUA, publicou suas descobertas na revista Cretaceous Research.

Os fósseis da nova espécie, que incluíam partes do crânio e do esqueleto de um indivíduo, foram encontrados em rochas do Cretáceo Superior da Formação do Lago Hall perto de Truth or Consequences, no Novo México.

Um esqueleto parcial foi desenterrado no final da década de 1990 e originariamente identificado como pertencente ao torossauro. Mais de 20 depois, o estudante de paleontologia do NMMNHS Sebastian Dalman reexaminou o esqueleto, com os colegas Spencer Lucas (também do NMMNHS), Steve Jasinski (da Universidade de Harrisburg, EUA) e Nick Longrich (da Universidade de Bath, Reino Unido). Descobriu-se que era uma nova espécie, sem relação com os dinossauros previamente descobertos na parte norte do continente.

As principais características que distinguem o sierracerátops de outros dinossauros com chifres são seus chifres de sobrancelha curtos, mas maciços, e a anatomia dos ossos do folho do dinossauro. O sierracerátops tinha um grande crânio, com cerca de 1,5 metro de comprimento, e seu comprimento total era de mais de 4,5 metros. Como outros ceratopsídeos, era um herbívoro quadrúpede.

Quadro que compara as dimensões do sierraceratops com as de outros dinossauros conhecidos. Crédito: Universidade de Bath
Comparação valiosa

O sierracerátops está relacionado, mas antecede seu parente tricerátops em cerca de 6 milhões de anos. Os dinossauros com chifres eram grandes herbívoros semelhantes a rinocerontes que provavelmente viviam em grupos ou manadas. Eles eram membros importantes dos ecossistemas do Cretáceo Superior na América do Norte e eram predados por tiranossauros.

Comparar características do sierracerátops com outros dinossauros ceratopsídeos conhecidos ajudou a equipe de pesquisa a traçar suas relações evolutivas com outros dinossauros com chifres.

O achado faz parte de uma onda de novas descobertas de dinossauros que surgiram na América do Norte nos últimos anos. Conforme coletam novos esqueletos e reestudam fósseis antigos, os paleontólogos descobrem que a mesma espécie não vivia em todos os lugares. Em vez disso, diferentes dinossauros com chifres, bico de pato, tiranossauros e raptors viveram em diferentes partes do continente.

À medida que os paleontólogos mudaram de áreas de busca bem conhecidas para territórios menos explorados, novas espécies surgiram. Essas descobertas sugerem que a diversidade dos dinossauros era maior do que se pensava anteriormente e que muitas espécies ainda não foram encontradas.

Espécie endêmica

A equipe de pesquisa concluiu que o sierracerátops está mais intimamente relacionado a outros ceratopsídeos do Texas e do norte do México. Esses dinossauros formam um grupo que viveu apenas no sudoeste da América do Norte, diferentemente dos grupos de ceratopsídeos que viveram mais ao norte. Isso sugere que dinossauros distintos e endêmicos podem ter habitado diferentes partes do oeste da América do Norte durante o Cretáceo Superior, 72 milhões de anos atrás.

O dr. Nick Longrich, do Milner Center for Evolution da Universidade de Bath e coautor do estudo, disse: “Parte da razão pela qual os dinossauros se tornaram tão diversos é que eles se especializaram em diferentes habitats, assim como os pássaros ou mamíferos modernos. Esses são animais enormes, e você pensaria que seriam comuns. Mas, na verdade, não são as mesmas espécies que vivem em todos os lugares. Diferentes espécies provavelmente se adaptaram ao clima, plantas, predadores e doenças locais, o que lhes dava uma vantagem contra invasores externos.”

Quando o sierracerátops viveu e morreu, o ambiente da América do Norte era muito diferente. Hoje, o sudoeste americano é formado por desertos e planícies secas. No Cretáceo Superior, os climas eram amenos, as florestas eram exuberantes e o nível do mar estava 100 metros mais alto. O Novo México não era coberto por deserto, mas por rios, pântanos e planícies aluviais, cheios de palmeiras e crocodilos, à beira de um imenso mar interior. Essa planície costeira se estendia até o Canadá e abrigava uma fauna de dinossauros muito diversa.

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