Partes do cérebro envelhecem de forma diferente

Descoberta deverá ajudar no diagnóstico precoce de doenças como Alzheimer

Os lados esquerdo e direito do córtex cerebral não afinam na mesma proporção, como se pensava. Crédito: Unsplash/CC0 Public Domain

Partes do cérebro entram em declínio mais rapidamente a partir dos 30 anos, descobriu um grupo de pesquisadores liderados pela Universidade de Oslo (Noruega). Essas alterações cerebrais são aceleradas em pessoas com doença de Alzheimer.

As descobertas lançam uma nova luz sobre nossa compreensão de como o cérebro envelhece e demonstram uma possível ligação entre o envelhecimento saudável e a doença de Alzheimer. O estudo foi apresentado em artigo publicado na revista “Nature Communications”.

Os pesquisadores estavam especificamente interessados ​​no córtex cerebral porque o afinamento nessa parte do cérebro foi associado ao declínio cognitivo e à doença de Alzheimer. É a camada mais externa do cérebro – uma fina lâmina de “massa cinzenta” –, essencial para o funcionamento cognitivo de ordem superior, como a memória.

Proporções diferentes

Os lados esquerdo e direito do córtex não são igualmente espessos em cérebros mais jovens – um fenômeno denominado “assimetria cortical”. A assimetria é aparentemente algo bom, pois permite que o cérebro funcione de forma otimizada, já que o cérebro esquerdo e o direito são especializados para fazer trabalhos ligeiramente diferentes.

À medida que envelhecemos, o córtex encolhe e gradualmente causa declínio cognitivo, que é uma parte normal do envelhecimento.

Até agora, os cientistas pensavam que os lados esquerdo e direito do córtex afinam na mesma proporção. O novo estudo mostra, porém, que o lado do cérebro que era mais espesso aos 20 anos se deteriorava mais rapidamente.

Ligação com doença de Alzheimer

A equipe , que faz parte do consórcio internacional de pesquisadores do cérebro Lifebrain, mediu a espessura de todas as áreas do córtex usando varreduras cerebrais de mais de 2.600 pessoas saudáveis ​​na Europa e nos EUA, e em uma amostra australiana com demência.

Os pesquisadores descobriram que a assimetria cortical é perdida à medida que envelhecemos, provando que os dois lados do cérebro se deterioram em taxas diferentes. Nas mesmas regiões cerebrais do envelhecimento normal, eles descobriram que o lado esquerdo do cérebro encolhe mais rapidamente na doença de Alzheimer.

“É muito cedo para concluir, mas a assimetria cortical pode ser usada como um marcador para detectar mudanças cerebrais precoces na doença de Alzheimer, que ocorrem antes que os sintomas cognitivos comecem a aparecer”, disse o principal autor do estudo, James Roe, da Universidade de Oslo.

Início precoce

A perda de assimetria surgiu em uma idade semelhante na maioria das pessoas (por volta dos 30 anos) e continuou ao longo da vida adulta, com declínio acelerado por volta dos 60 anos.

“A perda de assimetria cortical está acontecendo gradualmente ao longo da vida. Vimos isso com notável consistência em todas as amostras”, diz Roe.

“A implicação é que pelo menos algumas alterações cerebrais associadas à doença de Alzheimer podem ocorrer durante longos períodos da vida, possivelmente na ordem de décadas, e podem mostrar alta sobreposição com aquelas que ocorrem gradualmente no envelhecimento normal”, disse Roe.

Colaboração internacional

Os pesquisadores, baseados no Centro para Mudanças de Vida no Cérebro e Cognição (LCBC) da Universidade de Oslo, usaram uma abordagem “longitudinal”, o que significa que eles puderam analisar imagens do cérebro de pessoas em vários momentos ao longo de suas vidas. O estudo faz parte do projeto Lifebrain, financiado pela União Europeia, uma colaboração entre muitos dos maiores conjuntos de dados de envelhecimento longitudinal do mundo.

James Roe diz que é isso que dá ao estudo tal força: “Os dados que temos graças ao Lifebrain são um tesouro. Conseguimos medir a espessura de cada região do córtex em mais de 2.600 pessoas saudáveis participantes de cinco países, até seis vezes na mesma pessoa ao longo do tempo. Muitos outros conjuntos de dados do cérebro têm apenas uma varredura do cérebro por pessoa. Portanto, eles não podem ver as mudanças ocorrendo na mesma pessoa ao longo da vida. Fazer varreduras de acompanhamento das mesmas pessoas foi absolutamente fundamental para o nosso estudo”.

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