Pedaço de mortalha de múmia na Nova Zelândia emenda com outro nos EUA

Junção de fragmentos, que descrevem cenas do Livro dos Mortos egípcio, foi possível com a colocação de acervo online

Fragmento de mortalha ou envoltório de múmia datado do início do período ptolomaico, por volta de 300 a.C.: correspondência com peça dos EUA. Crédito: Museu Teece, Universidade de Canterbury

Um fragmento de linho de 2.300 anos do embrulho de uma múmia egípcia, mantido no Museu Teece de Antiguidades Clássicas da Universidade de Canterbury, em Christchurch (Nova Zelândia), encaixa com um fragmento nos Estados Unidos, no Instituto Getty.

A descoberta foi feita depois que o fragmento em Christchurch foi catalogado online com outros artefatos da Coleção James Logie do Museu Teece, uma das coleções mais significativas de artefatos gregos, romanos, egípcios e do Oriente Próximo em Aotearoa, Nova Zelândia.

Segundo a especialista em arte egípcia Alison Griffith, professora associada da Universidade de Canterbury, as peças adjacentes da mortalha representam cenas e feitiços do Livro dos Mortos descritos em escrita hierática egípcia, e datam de 300 a.C.

“Há uma pequena lacuna entre os dois fragmentos. No entanto, a cena faz sentido, o encantamento faz sentido e o texto faz o encaixe. É simplesmente incrível juntar fragmentos remotamente”, disse ela.

Material complicado

Griffith acrescentou: “A crença egípcia era que o falecido precisava de coisas mundanas em sua jornada para e na vida após a morte. Então, a arte em pirâmides e tumbas não é arte em si; é realmente sobre cenas de oferendas, suprimentos, servos e outras coisas que você precisa no outro lado”.

Em períodos anteriores, os egípcios escreviam diretamente nas paredes da tumba. No período posterior, entretanto, eles escreveram em papiro e no linho usado para embrulhar os corpos mumificados.

“É difícil escrever no material”, disse Griffith. “Você precisa de uma pena e de uma mão firme, e essa pessoa fez um trabalho incrível.” O fragmento  inclui imagens de açougueiros cortando um boi como oferenda; homens carregando móveis para a vida após a morte; quatro porta-estandartes com sinais nominais (falcão, íbis e chacais); um barco funerário com as figuras das irmãs-deusas Ísis e Néfi de cada lado; e um homem puxando um carro com a imagem de Anúbis, Protetor dos Mortos.

Uma cena semelhante ocorre no início da cópia do Livro dos Mortos no Papiro de Turim.

Peças de um quebra-cabeça se juntam no espaço virtual: as peças adjacentes do envoltório da múmia. À direita, o fragmento da Coleção Logie da Universidade de Canterbury; à esquerda, o fragmento adjacente do Instituto Getty nos Estados Unidos [83.AI.47.1.1 + M. Teece 121.73]. Crédito: Museu Teece de Antiguidades Clássicas, Universidade de Canterbury
Questões éticas

O dr. Foy Scalf, chefe de Arquivos de Pesquisa do Instituto Oriental da Universidade de Chicago (EUA), lançou mais luz sobre a história do item após saber de sua existência e confirmar a correspondência.

“Seu fragmento de linho é apenas um pequeno pedaço de um conjunto de bandagens que foram arrancadas dos restos mortais de um homem chamado Petosíris (cuja mãe era Tetosíris). Fragmentos dessas peças agora estão espalhados pelo mundo, em coleções institucionais e particulares”, ele afirmou. “É um destino infeliz para Petosíris, que teve tanto cuidado e despesas com seu enterro. E, é claro, isso levanta todos os tipos de questões éticas sobre as origens dessas coleções e nossas práticas contínuas de coleta.”

Como os pontos de vista sobre a ética da aquisição de artefatos mudaram consideravelmente, há um interesse renovado em como os artefatos foram coletados, vendidos e dispersos em todo o mundo, inclusive em países como a Nova Zelândia. “Esse é todo um subcampo dos estudos de museus em todo o mundo”, disse Griffith.

Outras conexões possíveis

O fragmento foi comprado pelo professor D. A. Kidd em nome da Universidade de Canterbury em 1972 em uma venda da Sotheby’s em Londres. A mortalha veio originariamente da coleção de Charles Augustus Murray, que foi cônsul geral britânico no Egito de 1846 a 1863, e mais tarde passou a fazer parte da coleção de Sir Thomas Phillips (1883-1966). Como os fragmentos foram separados, no entanto, permanece um mistério.

Tecido de linho delicado marrom claro, o fragmento da Logie Collection é mantido em armazenamento, mas está disponível para acadêmicos, pesquisadores e estudantes de história e clássicos.

A combinação virtual dos dois fragmentos permitiu novas traduções da escrita e outras conexões possíveis. “Isso mostra como nossa Coleção Logie é valiosa para o ensino e a pesquisa, pois ainda somos capazes de fazer novas descobertas sobre esses objetos. Também mostra o quão valioso foi colocar nossa coleção online”, ressaltou Terri Elder, curadora do Museu Teece.

Outra potencial combinação já foi feita com um fragmento da coleção R. D. Milns, na Universidade de Queensland (Austrália). “A história, como a mortalha, está sendo lentamente montada”, disse Elder.

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