Peixe-leão ameaça desequilibrar os ecossistemas da costa brasileira

Espécie está sendo monitorada em águas nacionais por pesquisadores para prevenir uma invasão, como a que aconteceu nos Estados Unidos e Caribe

Primeiro exemplar de peixe-leão capturado em Arraial do Cabo (RJ) pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação de Ambientes Recifais (Lecar) para identificação da carga genética.

Dois exemplares de peixe-leão capturados em Arraial do Cabo, no Rio de Janeiro, em 2015 foram o alerta inicial de uma invasão que promete acontecer na costa brasileira. Desde então, volta e meia surgem relatos não comprovados de aparições.

Eles estão sendo monitorados por pesquisadores para prevenir o que aconteceu nos Estados Unidos e Caribe. Por isso os trabalhos de combate começam na região Nordeste. O Projeto Conservação Recifal atua na Costa de Corais, que se estende de Pernambuco a Alagoas, com educação ambiental e alertas. Afinal, o mais natural seria que o peixe-leão, primeiro aparecesse ali. Mas a foz do Amazonas e do rio Orinoco, na Venezuela, até o momento têm servido como barreira natural para essa expansão.

Peixe-leão é um nome que abrange 12 espécies dos Oceanos Índico e Pacífico. Os indivíduos encontrados nas Américas são de duas espécies: a maioria de Ptoris volitans, e alguns casos de Ptoris miles. É um tipo bem peculiar, mas quem não conhece muito de peixes pode confundi-lo com um coió – espécie bastante comum na costa brasileira.

À esquerda, um peixe-leão. À direita, um coió, comum no Brasil.

Geralmente aparece em habitats que não são os seus quando aquaristas soltam os animais no mar. Mas as análises do primeiro exemplar capturado em Arraial do Cabo, feitas pelo Laboratório de Ecologia e Conservação de Ambientes Recifais (Lecar), identificaram que aquele tinha origem no Caribe.

Acredita-se que a invasão que ocorreu nos EUA e Caribe foi iniciada após o rompimento de uma loja de aquários na passagem do Furacão Andrews, na Flórida. Onde chegam se tornam facilmente uma praga porque não são reconhecidos como presas pelos peixes que poderiam se alimentar deles e ficam livres para comerem seus “pratos” preferidos, que não os reconhece como predadores, como os caranguejos, lagostas e outros peixes pequenos.

Bem alimentados, muito férteis (as fêmeas liberam mais de 100 mil ovos por mês) e com habilidade para viver em diferentes condições térmicas, de salinidade e de profundidade, terminam causando um grande desequilíbrio no ecossistema.

Se por um lado atraem por sua beleza, representam muito perigo para as pessoas. Seus 18 espinhos localizados na região dorsal estão carregados de um veneno capaz de causar dores, náusea e até convulsões em seres humanos.

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