Pesquisas da China são invalidadas por revistas por suspeita de uso de órgãos de prisioneiros

Segundo um dos jornais científicos, as pesquisas não atenderam a padrões éticos internacionais que pedem transparência em programas de doação de órgãos

Pesquisas da China são invalidadas por jornais científicos por suspeita de uso de órgãos de prisioneiros executados / Foto: Imagem de Belova59 por Pixabay

No último mês, duas revistas de artigos científicos, a “PLOS ONE” e a “Transplantation”, invalidaram quinze estudos de pesquisadores na China por suspeitas de que os autores possam ter usado órgãos de prisioneiros executados.

Todos os estudos originais – sete na “Transplantation” e oito na “PLOS ONE” – foram publicados entre 2008 e 2014. Dois envolviam transplantes de rim e o restante tratava de transplantes de fígado. Duas outras revistas, a “Clinical Journal of the American Society of Nefrology” e a “Kidney International” publicaram recentemente manifestações de preocupação pelo mesmo motivo, de acordo com o site “Retract Watch“, que monitora as retratações publicadas por revistas científicas.

As retratações, neste contexto, acontecem quando uma revista ou jornal científico considera alguma pesquisa publicada por eles inválida como conhecimento científico por algum motivo, seja por algum erro ou por fraude ou desvios éticos.

Segundo editorial publicado pela revista “Transplantation”, que em retrospectiva, por meio do esclarecimento do governo chinês, que a maioria dos doadores dos órgãos para pesquisa era de prisioneiros executados, antes da implementação de um protocolo do governo para regular tal prática, e que esse fato não foi transparente para os revisores e editores da revista na época em que os artigos foram publicados.

De acordo com a “PLOS ONE”, os detalhes sobre as fontes de doação de órgãos e métodos para obter consenso dos doadores não foram informados pelos autores de pelo menos um dos artigos invalidados, e que quando questionados sobre essa preocupação os pesquisadores não esclareceram as dúvidas ou informaram as causadas de morte dos doadores. “Os padrões éticos internacionais pedem transparência em programas de doação e transplantes de órgãos e procedimentos de consentimento claros, incluindo considerações para assegurar que os doadores não sejam coagidos”, afirmou a revista em comunicado.