Pinguim-imperador é forte candidato à extinção com clima mais quente

Simulações por computador revelam que a manutenção da atividade econômica como ocorre hoje levaria à perda quase completa das colônias dessa ave no fim do século

Pinguins-imperadores e seus filhotes: se a atividade humana permanecer como hoje, a extinção no fim do século será muito provável. Crédito: Michael Van Woert, NOAA NESDIS, ORA

Uma equipe internacional de cientistas descobriu que um clima mais quente pode levar à extinção até o fim deste século o pinguim-imperador (Aptenodytes forsteri), um dos animais mais impressionantes e carismáticos da Terra. O estudo foi publicado na revista “Global Change Biology”.

“Se o clima global continuar se aquecendo na taxa atual, esperamos que os pinguins-imperadores na Antártida experimentem um declínio de 86% até o ano 2100”, disse Stephanie Jenouvrier, ecologista de aves marinhas do Instituto Oceanográfico Woods Hole (WHOI, na sigla em inglês), dos Estados Unidos, e principal autora do artigo. “Nesse momento, será muito improvável que eles se recuperem.”

O destino dos pinguins está em grande parte ligado ao destino do gelo marinho, que os animais usam como base para procriação e muda, ela observa. Os pinguins-imperadores tendem a construir suas colônias no gelo em condições extremamente específicas – devem estar fechadas na costa do continente antártico, mas perto o suficiente do mar aberto para permitir a essas aves acesso à comida para si e para seus filhotes. À medida que o clima esquenta, no entanto, o gelo marinho desaparece gradualmente, roubando das aves seu habitat, suas fontes de alimento e sua capacidade de chocar os filhotes.

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Jenouvrier e sua equipe conduziram o estudo combinando dois modelos de computador existentes. O primeiro, um modelo climático global criado pelo Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica (NCAR, na sigla em inglês), oferecia projeções de onde e quando o gelo marinho se formaria sob diferentes cenários climáticos. O segundo, um modelo da própria população de pinguins, calculou como as colônias poderiam reagir às mudanças naquele habitat de gelo.

Três cenários diferentes

“Estamos desenvolvendo esse modelo de pinguim há 10 anos”, disse Jenouvrier. “Ele pode fornecer uma descrição muito detalhada de como o gelo marinho afeta o ciclo de vida dos pinguins-imperadores, sua reprodução e mortalidade. Quando alimentamos os resultados do modelo climático do NCAR, podemos começar a ver como diferentes alvos de temperatura global podem afetar a população de pinguins-imperador como um todo.”

Os pesquisadores executaram o modelo em três cenários diferentes: um futuro em que a temperatura global aumenta apenas 1,5 graus Celsius (a meta estabelecida pelo acordo climático de Paris), um em que as temperaturas aumentam 2 °C e outro em que nenhuma ação é tomada para reduzir as mudanças climáticas, causando um aumento de temperatura de 5 °C a 6 °C.

Sob o cenário de 1,5 °C, o estudo descobriu que apenas 5% do gelo marinho seria perdido em 2100, causando uma queda de 19% no número de colônias de pinguins. Se o planeta se aquecer 2 graus, no entanto, esses números aumentariam drasticamente: a perda de gelo do mar quase triplicaria e mais de um terço das colônias existentes desapareceriam.

O cenário business as usual é ainda mais terrível, acrescentou Jenouvrier: haveria uma perda quase completa das colônias. “Nesse cenário, os pinguins estarão efetivamente marchando para a extinção no próximo século”, disse ela.