Pirâmide na Síria pode ser o mais antigo memorial de guerra conhecido

Monte de terra e gesso erguido há mais de 4 mil anos às margens do rio Eufrates tinha ossos humanos distribuídos em padrões não identificados anteriormente

Concepção do Monumento Branco, na Síria. Crédito: Cortesia do Projeto de Salvamento Eufrates/Porter et al. 2021, © Antiquity Publications Ltd.

Erguido na Síria há 4.300 anos, o Monumento Branco pode ser o mais antigo memorial de guerra conhecido, afirmam pesquisadores da Universidade de Toronto (Canadá), do Projeto de Salvamento do Eufrates e do Museu de Arqueologia e Antropologia da Universidade da Pensilvânia (ambos dos EUA). Eles chegaram a essa conclusão depois de analisar o material encontrado nesse monte piramidal de terra e gesso antes de ele desaparecer sob a água quando a área foi permanentemente inundada devido à construção da barragem de Tishrin. O estudo foi publicado na revista Antiquity.

O material examinado foi recolhido no sítio de Tell Banat entre 1988 e 1999, quando arqueólogos obtiveram permissão para escavar o Monumento Branco, localizado perto do rio Eufrates antes de a área ser inundada. Foram encontrados então, junto com outros artefatos, restos de cerca de 30 corpos enterrados há milhares de anos que podem ter servido em uma força militar organizada. Uma análise recente desse material permitiu a descoberta de padrões não percebidos anteriormente.

Os pesquisadores descobriram que o monumento foi construído em três estágios. O primeiro envolveu a criação de um pequeno monte de terra. No segundo, o monte inicial foi coberto com pequenos montes de terra nos quais havia ossos humanos misturados. O terceiro estágio abrangia a adição de mais terra e a criação de plataformas escalonadas, dando ao monte sua forma de pirâmide. Durante a escavação, os arqueólogos só puderam estudar as duas camadas superiores. Por isso, ainda não se sabe se havia ossos ou artefatos no pequeno monte original. Os testes mostraram que a construção inicial do monumento começou há cerca de 4.500 anos.

Projéteis possivelmente disparados por estilingues encontrados no loca. Crédito: © Antiquity Publications Ltd
Visível na paisagem

Os pesquisadores descobriram agora que grupos de ossos foram emparelhados com determinados artefatos. Alguns grupos, por exemplo, foram emparelhados com coleções de pelotas (munição para estilingues). Outros grupos apresentavam ossos humanos colocados perto de ossos de kungas. Esses animais parecidos com burros eram usados, segundo pinturas da época, ​​para puxar carroças ou bigas.

De acordo com Anne Porter, da Universidade de Toronto, primeira autora do artigo, os restos mortais encontrados em Tell Banat foram retirados de outro lugar e cuidadosamente reenterrados no monte, que seria bem visível na paisagem. O gesso teria feito o monumento brilhar à luz do sol, explicou Porter, e provavelmente serviu como um memorial de guerra. Aqueles que foram enterrados com os ossos de kunga podem ter servido como condutores de carroças ou carruagens no antigo exército. Já as pelotas enterradas perto de alguns dos restos humanos podem ter sido disparadas de soldados a pé com estilingues.

Os pesquisadores sugerem que o povo mesopotâmico responsável pela construção ergueu o monte para servir como um grande memorial de guerra. Mas ainda não ficou claro se os enterrados eram amigos ou inimigos, dizem eles no estudo.

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