Planetas poderiam se formar e orbitar ao redor de buracos negros

Segundo cientistas japoneses, milhares de planetas podem estar na órbita de um buraco negro supermassivo

Concepção artística de planetas orbitando um buraco negro. Crédito: Universidade de Kagoshima

Cientistas japoneses propuseram a possibilidade da existência de milhares de planetas girando em torno de um buraco negro supermassivo. A ideia, que quebra o conceito de que planetas só orbitam ao redor de estrelas, é apresentada hoje (26 de novembro) na revista “Astrophysical Journal”.

“Com as condições certas, os planetas podem ser formados mesmo em ambientes hostis, como em torno de um buraco negro”, afirma Keiichi Wada, professor da Universidade de Kagoshima (Japão). Ele pesquisa núcleos galácticos ativos que são objetos luminosos energizados por buracos negros.

De acordo com as teorias mais recentes, os planetas são formados a partir de agregados de poeira mais macios em um disco protoplanetário em torno de uma estrela jovem. Mas jovens estrelas não são os únicos objetos que possuem discos de poeira. Em uma nova abordagem, os pesquisadores se concentraram em discos pesados ​​em torno de buracos negros supermassivos nos núcleos das galáxias.

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“Nossos cálculos mostram que dezenas de milhares de planetas com 10 vezes a massa da Terra poderiam ser formados a cerca de 10 anos-luz de um buraco negro”, diz Eiichiro Kokubo, professor do Observatório Astronômico Nacional do Japão que estuda a formação de planetas. “Em torno dos buracos negros podem existir sistemas planetários de escala surpreendente.”

Novo campo

Alguns buracos negros supermassivos têm grandes quantidades de matéria ao seu redor na forma de um disco pesado e denso. Um disco pode conter até cem mil vezes a massa do Sol em pó. Isso significa um bilhão de vezes a massa de poeira de um disco protoplanetário.

Em uma região de baixa temperatura de um disco protoplanetário, os grãos de poeira com mantos de gelo se unem e evoluem para agregados macios. Um disco de poeira em torno de um buraco negro é tão denso que a intensa radiação da região central é bloqueada e regiões de baixa temperatura são formadas. Os pesquisadores aplicaram a teoria da formação de planetas aos discos circum-nucleares e descobriram que os planetas poderiam ser formados em várias centenas de milhões de anos.

Atualmente, não existem técnicas para detectar esses planetas em torno de buracos negros. No entanto, os pesquisadores esperam que esse estudo abra um novo campo na astronomia.