Planetas totalmente cobertos com água podem ser comuns no universo

O planeta aquático de "Interestelar", filme do diretor Christopher Nolan: imagem mais comum no universo do que se pensava. Foto: Divulgação

Planetas cobertos integralmente por água (por vezes com profundidades que chegam a centenas de quilômetros, ou até mais) podem ser mais comuns do que se pensava. Talvez as massas emersas da Terra sejam  uma coincidência feliz, ocorrida pouco antes de nosso sistema solar nascer. A observação foi feita esta semana por Michael Meyer, professor de astronomia da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, na conferência de astrobiologia AbSciCon 2019, em Bellevue, Washington (Estados Unidos), noticiada pela revista “Cosmos”.

Nosso planeta contém bastante água, mas, pelos padrões cósmicos, é bem seco – o líquido representa apenas 0,02% de sua massa total.

Segundo Meyer, os primeiros protoplanetas a partir dos quais a Terra e outros planetas se formaram eram ricos em isótopos intensamente radioativos, como o alumínio-26. O calor da decomposição dessas substâncias de vida curta elevou as temperaturas internas desses corpos para acima de 925 graus Celsius. “Isso expulsaria a maioria dos voláteis”, disse o astrônomo.

Atualmente raro no Sistema Solar, o alumínio-26 tem uma meia-vida de “apenas” 720 mil anos. Para Meyer, isso significa que algo deve ter “poluído” o ambiente do Sistema Solar pouco antes da formação dos planetas, há cerca de 4,5 bilhões de anos. O astrônomo sugere que o protagonista desse episódio seria uma explosão de supernova, causada pela morte de uma estrela gigante em algum ponto no agrupamento estelar em que nosso sistema solar nasceu.

Segundo Meyer, aparentemente algo em torno de 10% a 15% dos sistemas estelares recém-formados acabariam com níveis de alumínio-26 comparáveis ​​aos vistos por aqui. Os outros, afirma o astrônomo, em vez de expulsar a água para formar planetas rochosos “secos”, como a Terra, Marte, Vênus e Mercúrio, teriam retido grande parte de sua água primordial (ou gelo). “A maioria é muito molhada”, diz.

A capacidade de esses mundos abrigarem vida ​​é uma questão bem complexa. Para Meyer, eles possuem oceanos profundos, cobertos por camadas impenetráveis ​​de gelo. Mas isso obviamente depende da distância deles em relação a suas estrelas.