Plano para salvar peixe amazônico dá Prêmio Rolex a brasileiro

Silva e o arapaima: esperança para a sobrevivência da espécie e o desenvolvimento das comunidades ribeirinhas. Foto: Rolex/Marc Latzel

Um projeto para salvar o maior peixe com escamas de água doce do mundo, o arapaima, nativo da Amazônia, deu ao ecologista e ictiologista brasileiro João Campos Silva um dos cinco Prêmios Rolex de Empreendedorismo de 2019, anunciou hoje em Washington a tradicional fabricante de relógios suíça. Cada um dos laureados recebe 200 mil francos suíços (cerca de R$ 780 mil) e outros benefícios para desenvolver sua iniciativa.

O plano de Silva não se limita a salvar o arapaima, ameaçado peixe que chega a alcançar 200 kg de peso: ele também elabora uma colaboração intensa com associações locais e dirigentes do setor pesqueiro no sentido de garantir os meios de subsistência, a alimentação e a cultura das comunidades que dependem do ecossistema dos rios para viver.

“O arapaima é o peixe que está transformando a Amazônia. O manejo do arapaima pela comunidade local é o fio de esperança que vem fazendo renascer o otimismo em muitas pessoas”, afirma Silva.

O ecologista pretende transpor a experiência para 60 comunidades, tendo como meta multiplicar por quatro o número de peixes em apenas três anos. “Os lucros obtidos serão destinados à construção de escolas, à criação de postos médicos e à geração de empregos em atividades ligadas à indústria de pesca, em particular para mulheres”, explica ele. Salvar o arapaima da extinção representa, desse modo, um antídoto contra a pobreza.

Lançados em 1976 para comemorar o cinquentenário do Oyster, o primeiro relógio de pulso impermeável do mundo, produzido pela fabricante, os Prêmios Rolex de Empreendedorismo têm como proposta promover o espírito de empreendedorismo, o conhecimento e o bem-estar da humanidade, proteger o patrimônio cultural e preservar o meio ambiente. Este último tema é um compromisso de longa data da marca, cuja campanha Perpetual Planet, lançada recentemente, destina-se a apoiar importantes personalidades e institutos na busca de soluções para os grandes desafios ambientais.

A versão deste ano do prêmio começou com a inscrição de 957 candidatos (40% dos quais milheres), de 111 países. Além de Silva, foram laureados a bióloga molecular canadense Miranda Wang, a cientista e conservacionista indiana Krithi Karanth, o cientista francês Grégoire Courtine e o empreendedor ugandense Brian Gitta.

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