Plantar árvores: solução climática, marketing verde ou colonialismo?

Não basta simplesmente sair plantando árvores para obter os benefícios que se esperam dessa iniciativa em termos de absorção de carbono da atmosfera

Mudas para reflorestamento: projetos só fazem sentido se envolverem também as comunidades no entorno. Crédito: Tata Hoffman/Wikimedia Commons

Árvores em crescimento absorvem o CO2 da atmosfera e fixam o carbono na forma de tronco, galhos, raízes e folhas. Embora a discussão sobre sua efetividade seja antiga, nos últimos tempos o plantio de árvores se transformou em um dos eixos dos embates climáticos.

Benji Jones, na Vox, informa que o plantio pelo governo turco de 11 milhões de mudas em um dia deu em quase nada. Dessas mudas, 90% haviam morrido nos 3 primeiros meses. Jones enfatiza o resultado de um artigo da Nature do mês passado sobre a maior avaliação de um programa de recuperação florestal no norte da Índia ao longo de 50 anos. Resumindo, não houve claros benefícios climáticos e não melhoraram a qualidade de vida da população da região. Na avaliação de Jones, a recuperação florestal é um esforço de longo prazo, que envolve mais do que as florestas e que é imprescindível engajar de fato a população local, a qual, afinal, tem o conhecimento e o maior interesse em zelar por elas.

Yeb Saño, do Greenpeace Sudeste Asiático, comenta na Climate Change News as campanhas por créditos de carbono florestais. Os grandes poluidores, em especial as petroleiras, em vez de parar de bombear carbono para a atmosfera, querem pagar para que o problema desapareça, querem “comprar nossas florestas, nossas terras, nossa natureza para o greenwash de seus negócios” e cumprir promessas de net zero. Na escala que as petroleiras e coleguinhas projetam, pode faltar área ou se aguçar a falta de segurança alimentar para populações já por demais desassistidas. Vale ler uma nota que publicamos no mês passado.

Áreas de maior potencial

No outro lado da discussão, de fato há um estoque de carbono nas árvores, e programas bem executados de restauração removem CO2 da atmosfera. O Escolhas lançou uma plataforma olhando para áreas passíveis de concessão florestal por parte da União e estimando o carbono estocado e um possível valor associado. A plataforma estima, na prática, o potencial proposto por um projeto de lei, apresentado pelo deputado Rodrigo Agostinho e em tramitação na Câmara. Segundo o Valor, 47 concessões na Amazônia e na Mata Atlântica teriam o potencial de gerar quase 6 milhões tCO2e anualmente e obter R$ 130 milhões para manter este estoque intacto, sendo bem geridas as concessões.

A TNC, o WRI e outros revisitaram a capacidade de remoção de carbono ao restaurar florestas e entendem que, para os trópicos, essa capacidade é o dobro da taxa mais aceita e, para florestas temperadas, é 50% maior. Com isso, as organizações identificaram as áreas globais com maior potencial a partir de um mapeamento feito com a Global Forest Watch. Em um trabalho publicado na Nature, estimam um potencial de remoção de 8,9 bilhões de toneladas de carbono por ano, cerca de 25% das emissões fósseis do mundo todo. Também vale ler outro artigo do grupo que saiu na Nature em janeiro deste ano.

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