Poluição por plástico custa caro para a sociedade

Poluição por plástico nos oceanos do mundo custa à sociedade até US $ 2,5 bilhões todos os anos em recursos danificados e perdidos, apurou pesquisa

Arraia-manta nada perto de plástico no litoral da Indonésia (Foto: Divulgação)

Quando os resíduos plásticos chegam aos oceanos causam a degradação do ambiente marinho. Para mostrar que essa questão vai muito além de poluição ambiental, um estudo realizado por economistas ingleses, e publicado na Marine Pollution Bolletin, procuraram ‘colocar um preço no plástico’ ao calcular os impactos financeiros disso para a sociedade mundial.

Os serviços ecossistêmicos – aquilo que os oceanos oferecem “de graça” para o bem-estar dos seres humanos – sofrem um declínio estimado de 1% a 5% devido à poluição. Cada tonelada custa até US$ 33 mil por tonelada em valor ambiental reduzido, segundo o estudo. Estima-se que 8 milhões de toneladas de poluição plástica entram nos oceanos do mundo a cada ano. Portanto, todos os anos esse prejuízo alcança até US$ 2,5 bilhões.

Se o valor já é bastante alto, saiba que essas estimativas nem levaram em conta os impactos diretos e indiretos sobre as indústrias de turismo, transporte e pesca, ou sobre a saúde humana, alertaram os autores. Nicola Beaumont, economista ambiental do Laboratório Marinho de Plymouth, que liderou o estudo, disse que o levantamento é o primeiro do tipo a explorar o impacto social e econômico dos plásticos no mar. Mas destaca que os custos reais para a sociedade humana global já estão subestimados.

Kayleigh Wyles, professora de psicologia ambiental da Universidade de Surrey, disse ao jornal The Guardian que a pesquisa foi a primeira a mostrar o impacto “holístico” da poluição plástica, que pretende chamar a atenção para os mares e dar subsídio para a tomada de decisões a respeito do tema. “Reciclar uma tonelada de plástico nos custa centenas contra os custos de milhares se a deixarmos entrar no ambiente marinho”, disse ela.

“Hoje, nós trocamos carbono para reduzir as emissões para a atmosfera, então devemos ser capazes de fazer algo similar com plásticos. Esperamos que este estudo destaque a realidade do problema plástico em termos humanos.”