Poluição sonora põe reprodução de aves em risco, diz estudo britânico

Pintarroxo europeu: os barulhos de origem humana prejudicam sua reprodução e seu convívio social. Foto: F.C. Franklin/Wikimedia

A poluição sonora atrapalha mais os pássaros do que já se sabia, conclui um estudo norte-irlandês publicado na revista “Biology Letters”. Pesquisadores da Queen’s University, em Belfast, descobriram que ruídos produzidos por humanos afetam profundamente o pintarroxo (também conhecido como pisco) europeu.

Segundo Gareth Arnott, conferencista sênior e pesquisador do Instituto de Segurança Alimentar Global da universidade, o canto dos pássaros tem objetivo duplo – atrair parceiros e defender o território. Mas a poluição sonora originária do ser humano faz as aves confundirem os sinais que trocam entre si.

“Descobrimos que a estrutura do canto dos pássaros pode comunicar intenção agressiva, permitindo que as aves avaliem seu oponente. Mas o ruído feito pelo homem pode atrapalhar essa informação crucial passada entre elas, mascarando a complexidade das músicas que usam para adquirir recursos, como território e espaço para a nidificação”, afirma.

Por receberem informações incompletas sobre as intenções de seu oponente, os pássaros ficam incapacitados de fornecer a resposta mais adequada, afirma Arnott. “O estudo é uma evidência de que a poluição sonora produzida por humanos impacta os habitats do animal e influencia diretamente sua habilidade de se comunicar apropriadamente, o que pode ter implicações para a sobrevivência e o contingente populacional das aves”, conclui.

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