Primatas com testículos menores são mais chamativos

Biólogos da Universidade de Zurique mostraram que primatas machos ou têm testículos grandes ou ornamentos vistosos, como jubas, barbas ou manchas coloridas

Babuino Papio anubis
Babuino Papio anubis

Foto: Muhammad Mahdi Karim / Licença GNU, versão 1.2

Biólogos evolucionistas da Universidade de Zurique demonstraram em um estudo que os primatas machos ou têm testículos grandes ou ornamentos vistosos, como jubas, barbas ou manchas coloridas.

Primatas masculinos são altamente competitivos, especialmente sobre gerar descendentes. Para maximizar suas chances de transmitir seus genes, a evolução dotou os machos de muitas espécies de traços como um grande tamanho corporal ou dentes caninos longos, que podem servir como armas em disputas de parceiras.

Outros “ornamentos” sexuais vistosos, como jubas, barbas e manchas coloridas podem ajudar os indivíduos a intimidar rivais e atrair fêmeas. E, se os machos não puderem manter outros machos longe de suas fêmeas, eles tentarão superá-los ao nível do esperma, produzindo mais do que os concorrentes. Mas produzir muito esperma requer testículos grandes.

Esses traços masculinos consomem muita energia. E desenvolver ambos (ornamentos e alta produção de esperma), ao mesmo tempo, não é possível energeticamente. Os biólogos compararam as características sexuais de mais de 100 espécies de primatas, incluindo humanos. E chegaram à conclusão de que a elaboração dos ornamentos vem à custa do tamanho dos testículos e da produção de espermatozóides. Em resumo, os machos mais chamativos esteticamente têm os menores testículos.

É a primeira vez em que essa relação é estabelecida cientificamente. O novo estudo é o primeiro a examinar todos os traços sexuais simultaneamente. E a pesquisa trouxe à luz as sutilezas de como os primatas masculinos investem na maximização de seu sucesso reprodutivo: “Os testículos grandes vêm com armas grandes, como grandes dentes, mas com menos ornamentação”, diz Stefan Lüpold, um dos autores da pesquisa. Os pesquisadores oferecem várias explicações para suas descobertas. “É difícil ter tudo”, diz Lüpold.

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