Primeiras imagens da Solar Orbiter revelam novo fenômeno no Sol

Fotos da sonda da ESA e da Nasa feitas em 30 de maio mostram um fenômeno ainda desconhecido: pequenas erupções onipresentes na superfície solar

Foto do Sol registrada pela sonda Solar Orbiter em 30 de maio: missão vai obter detalhes inéditos sobre a nossa estrela. Crédito: Solar Orbiter/Equipe EUI/ESA & Nasa; CSL, IAS, MPS, PMOD/WRC, ROB, UCL/MSSL

A câmera Extreme Ultraviolet Imager (EUI) na sonda Solar Orbiter, uma colaboração internacional entre a Nasa e a Agência Espacial Europeia (ESA), captou as imagens aqui apresentadas em 30 de maio de 2020. Eles mostram a aparência do Sol em um comprimento de onda de 17 nanômetros, que fica na região ultravioleta extrema do espectro eletromagnético. Imagens nesse comprimento de onda revelam a atmosfera superior do Sol, a coroa, com uma temperatura de cerca de 1 milhão de graus Celsius.

A EUI obtém imagens de disco completas (canto superior esquerdo na sequência abaixo) usando o telescópio Full Sun Imager (FSI), bem como imagens de alta resolução usando o telescópio HRI EUV.

Algumas das imagens enviadas pela sonda que mostram as onipresentes “fogueiras”. Crédito: Solar Orbiter/Equipe EUI/ESA & Nasa; CSL, IAS, MPS, PMOD/WRC, ROB, UCL/MSSL

A Solar Orbiter foi lançada da Terra em 10 de fevereiro deste ano. Em 30 de maio, ela estava a aproximadamente 77 milhões de quilômetros do Sol, na metade do caminho até a nossa estrela. Isso significa que estava mais próxima do Sol do que qualquer outro telescópio solar jamais esteve antes. A posição permitiu à EUI ver características na coroa solar de apenas 400 km de diâmetro.

À medida que a missão continuar, a Solar Orbiter se aproximará do Sol, e isso aumentará o poder de resolução do instrumento em um fator de dois na aproximação mais próxima.

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Pequenos parentes

Mesmo antes disso, porém, essas imagens revelam uma infinidade de pequenos circuitos, pontos brilhantes em erupção e fibrilas escuras e em movimento. Uma característica onipresente da superfície solar, revelada pela primeira vez por estas imagens, tem sido chamada de “fogueiras”. São erupções onipresentes que podem estar contribuindo para as altas temperaturas da coroa solar e a origem do vento solar.

A cor nesta imagem foi adicionada artificialmente porque o comprimento de onda original detectado pelo instrumento é invisível ao olho humano.

“As fogueiras são pequenos parentes das explosões solares que podemos observar da Terra, milhões ou bilhões de vezes menores”, disse David Berghmans, do Observatório Real da Bélgica (ROB), pesquisador principal do instrumento EUI. “O Sol pode parecer quieto à primeira vista, mas quando olhamos em detalhes, podemos ver essas labaredas em miniatura em todos os lugares.”

Os cientistas ainda não sabem se as fogueiras são apenas pequenas versões de grandes explosões ou se são movidas por diferentes mecanismos. Já existem, no entanto, teorias de que essas explosões em miniatura poderiam estar contribuindo para um dos fenômenos mais misteriosos do Sol, o aquecimento coronal.

Uma galeria de 45 fotos registradas pela sonda pode ser vista aqui.

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