Primeiros humanos na Tasmânia devem ter visto auroras espetaculares

Estudo em lago tasmaniano revelou que, na época em que a ilha australiana começou a ser habitada, o polo sul magnético da Terra era o norte, e vice-versa

Aurora: um fenômeno que deve ter extasiado os primeiros habitantes da Tasmânia, há cerca de 41 mil anos. Crédito: Unsplash/CC0 Public Domain

A perfuração de um núcleo de 270 mil anos em um lago da Tasmânia (ilha no sudeste da Austrália) forneceu o primeiro registro australiano de um grande evento global onde o campo magnético da Terra “mudou”. Forneceu também a oportunidade de estabelecer um precedente para o desenvolvimento de novas ferramentas de datação paleomagnética para a arqueologia e paleociências australianas.

“Este é o primeiro estudo desse tipo na Austrália desde os estudos pioneiros na década de 1980”, disse a autora do estudo, drª Agathe Lisé-Provonost, que pesquisa na Escola de Ciências da Terra da Universidade de Melbourne (Austrália). “Apenas dois lagos no nordeste da Austrália forneciam anteriormente esse registro de ‘vetor completo’. Em tais casos, as direções anteriores e a intensidade do campo magnético da Terra são obtidas dos mesmos núcleos.”

Publicado na revista “Quaternary Geochronology”, o estudo feito a partir do núcleo do Lago Selina permitiu concluir que, há 41 mil anos, as pessoas na Tasmânia devem ter visto auroras espetaculares quando o campo magnético da Terra mudou e, por alguns milhares de anos, o norte foi o sul e o sul foi o norte.

‘Excursão’ geomagnética

“Durante a ‘excursão’ geomagnética, a força do campo magnético da Terra quase desapareceu”, disse a drª Lisé-Provonost. “Isso levaria a um grande aumento nas partículas cósmicas e solares bombardeando nosso planeta porque o campo magnético normalmente age como um escudo. Não sabemos quando a próxima excursão geomagnética acontecerá. Mas se uma ocorrer hoje, os satélites se tornarão inúteis, os aplicativos de navegação para smartphones falharão e haverá grandes interrupções nos sistemas de distribuição de energia.”

A pesquisa que levou a essa descoberta começou em 2014. Naquele ano, a autora viajou para um pequeno lago subalpino no oeste da Tasmânia com uma equipe liderada pelo professor associado Michael-Shawn Fletcher. No local, uma plataforma flutuante improvisada amarrada a duas jangadas infláveis ​​foi usada para perfuração no sedimento.

Com o núcleo contendo um registro do clima, da vegetação e do paleomagnetismo da área, a equipe procurou primeiramente datar com precisão suas camadas. Ela encontrou evidências das mudanças no ecossistema que ocorreram quando os aborígenes da Tasmânia chegaram, há 43 mil anos. Essas alterações atuaram no planeta ao longo de milhares de anos. Mudanças abruptas ocorridas desde a chegada dos europeus, há 200 anos, também são evidenciadas.

Agulhas de bússola

“Partículas magnéticas são erodidas das rochas, fazendo seu caminho para um lago pelo vento ou pela água, e se acomodam no fundo do lago”, disse a drª Lisé-Provonost. “As partículas magnéticas agem como minúsculas agulhas de bússola, alinhando-se com o campo magnético da Terra. À medida que essas partículas se acumulam e ficam enterradas, elas ficam presas no lugar, deixando uma história do campo magnético da Terra. Quanto mais fundo perfuramos, mais para trás no tempo nós vamos.”

Espera-se que a pesquisa abra o caminho para mais estudos do comportamento do campo geomagnético passado de lagos australianos e outros materiais geológicos, como fluxos de lava, depósitos de cavernas e artefatos arqueológicos queimados, para o desenvolvimento de novas ferramentas de datação paleomagnética e modelos de aprimoramento do campo magnético da Terra para, um dia, talvez prever a próxima excursão geomagnética.

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