Quase 71 milhões de pessoas tiveram de deixar suas casas em 2018, diz ONU

Campo de refugiados na República Democrática do Congo: problema está aumentando, informa o Acnur. Foto: Julien Harneis/Wikimedia

O trabalho do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur), agência da ONU, está aumentando a cada ano: em 2018, segundo esse órgão, 70,8 milhões de pessoas tiveram de sair de suas casas, para outros pontos de seu país ou do exterior – 2,3 milhões a mais do que os 68,5 milhões registrados em 2017. Em 2016, a conta de vítimas de deslocamentos forçados já batia em cerca de 65,6 milhões de pessoas.

A nova edição do relatório anual Tendências Globais, produzido anualmente pelo Acnur e lançada hoje, na véspera do Dia do Refugiado, revela que em média 37 mil pessoas migraram por dia em 2018. É um número recorde nas quase sete décadas de existência do órgão.

Os 70,8 milhões de pessoas deslocadas no mundo em 2018 são divididos em três grupos. O maior deles é o de pessoas que saíram de suas casas, mas permanecem dentro de seus países de origem, os chamados deslocados internos. Seu número chegou a 41,3 milhões de indivíduos em 2017.

Os refugiados – definidos pelo Acnur como indivíduos forçados a sair de seus países por causa de conflitos, perseguições ou guerras – somaram 25,9 milhões, 500 mil a mais do que em 2017.

A Convenção da ONU referente ao Estatuto dos Refugiados, de julho de 1951, estabelece que o refúgio pode ser solicitado por pessoas que, receando ser perseguidas por razões de raça, religião, nacionalidade, grupo social ou opiniões políticas, deixam os países onde nasceram ou moravam para viver em outra nação e que temem voltar.

Segundo o relatório do Acnur, mais de dois terços dos 25,9 milhões de refugiados globais são originários de cinco países: Síria (6,7 milhões), Afeganistão (2,7 milhões), Sudão do Sul (2,3 milhões), Myanmar (1,1 milhão) e Somália (900 mil). Desse total, apenas 16% foram acolhidos em países desenvolvidos; por outro lado, ao menos 33% dos refugiados foram recebidos por países menos desenvolvidos. Em média, 80% dos indivíduos desse contingente viviam em países fronteiriços aos seus.

 

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O terceiro e menor grupo do relatório é o de solicitantes de refúgio (pessoas que aguardam, fora de seus países de origem, uma decisão sobre seu pedido, enquanto recebem proteção internacional). Em 2018, eles somaram 3,5 milhões.

Em 20 anos, o total de deslocados em todo o mundo dobrou e já corresponde à população de países como Tailândia e Turquia (o equivalente a cerca de um terço da população total do Brasil), segundo o Acnur.

As estimativas da agência da ONU são consideradas conservadoras, uma vez que a crise venezuelana estaria apenas parcialmente representada nos números apresentados pelo órgão. Os venezuelanos figuram como o segundo maior fluxo migratório de novos deslocamentos internacionais em 2018, atrás apenas dos sírios, cujo país vive uma guerra.

O novo relatório do Acnur pode ser acessado na sua página na internet em inglês: www.unhcr.org

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