Queimadas no Pantanal e estiagem severa afligem MT e MS

Rios estão com baixo nível devido à mais severa seca dos últimos anos nos dois estados

Teste com retardante químico para combater incêndios no Pantanal. Crédito: © Mayke Toscano/Secom-MT

A seca e os incêndios que há vários meses destroem o Pantanal vêm alterando a paisagem no Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso. Em meio à mais severa estiagem das últimas décadas, cursos d’água estão secando, enquanto nuvens de fumaça encobrem a paisagem.

Corumbá (MS) voltou a amanhecer no sábado (12 de setembro) encoberta por névoa e fuligem. Em alguns pontos, o rio Paraguai chegou a ficar invisível a distância.

Na sexta-feira (11), o gerente de Recursos Hídricos do Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul), Leonardo Sampaio, apresentou dados que sugerem que, em breve, os principais rios que cortam o território sul-mato-grossense atingirão os níveis mais baixos dos últimos cinco anos.

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Além do rio Paraguai, que, segundo o Imasul, apresenta baixos níveis ao longo de toda sua extensão estadual, os rios Miranda, Aquidauana (ambos na bacia do Paraguai), além do Pardo (na bacia do rio Paraná), já sofrem com a escassez de chuvas. E devem continuar secando pelas próximas semanas.

Sem previsão de chuvas

Segundo o Centro Estadual de Monitoramento do Tempo e do Clima (Cemtec/MS), não há expectativa de chuvas até pelo menos o próximo dia 19. Nessa data, pancadas d’água podem atingir parte do estado, embora em proporções insuficientes para elevar o nível dos rios.

Os incêndios também ameaçam importantes sítios arqueológicos existentes no Parque Estadual Nascentes do Rio Taquari, entre as cidades sul-mato-grossenses de Costa Rica e Alcinópolis. Desde o início da semana, oito bombeiros e voluntários tentam conter as chamas que, até quinta-feira (10), tinham destruído cerca de 8,9 mil hectares de vegetação típica do Cerrado. Desse total, 4,5 mil hectares ficam dentro do parque estadual, e pouco mais de 4 mil em propriedades rurais vizinhas à unidade de conservação administrada pelo Imasul.

“Este incêndio começou no último domingo, no estado do Mato Grosso, no município de Alto Taquari, e adentrou nosso estado pelo município de Alcinópolis”, explicou o diretor-presidente do Imasul, André Borges, em um vídeo divulgado nas redes sociais. O estado solicitou o apoio do Exército.

Mato Grosso

A navegabilidade e o abastecimento hídrico preocupam também os moradores de Mato Grosso. Em Cáceres (MT), a prefeitura divulgou no sábado (12), em suas redes sociais, uma foto da Baía dos Malheiros, ou Baía de Daveron, cujas águas se fundem às do rio Paraguai. Na curta mensagem, a prefeitura alertou os donos de embarcações para o risco de o rio secar nos próximos dias, bloqueando a ligação com o rio Paraguai e deixando encalhados os barcos que não tiverem deixado o local.

Também em Cáceres, as chamas destruíram, na sexta-feira (11), um prédio desativado do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), e mataram, na quarta-feira (9), o zootecnista Luciano da Silva Beijo, 36 anos. Segundo a Associação Brasileira de Zootecnistas, Beijo foi atingido enquanto tentava conter o avanço do fogo na fazenda onde trabalhava e teve quase 100% do corpo queimado.

Em outra região do Mato Grosso, na Serra do Parecis, a cerca de 242 quilômetros da capital, Cuiabá, há quase uma semana bombeiros tentam apagar um incêndio de grandes proporções. Nem o apoio de produtores rurais e de moradores da região tem sido suficiente para impedir que as chamas se espalhem rapidamente pela vegetação seca, em meio a áreas de difícil acesso.

A fumaça, o calor e a baixa umidade exigem que a população redobre os cuidados com a saúde. Especialistas recomendam que as pessoas bebam bastante água, deem preferência a alimentos saudáveis, pouco gordurosos, lavem narinas e olhos com soro fisiológico, utilizem umidificadores se necessário e evitem atividades físicas durante as horas mais quentes do dia.

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