Quem o resto da UE prefere ver no poder na Alemanha?

A possibilidade de uma guinada à esquerda em Berlim, após 16 anos de governo conservador, é acompanhada atentamente por parceiros europeus.Não há declarações oficiais de atuais líderes de países da União Europeia, mas há muitas especulações, às vezes com base em informações de gente ligada aos governos, de observadores e de analistas, sobre quem os vizinhos prefeririam ver no poder na Alemanha após a saída de Angela Merkel.

A disputa está entre o atual-vice-chanceler e ministro das Finanças de Merkel, Olaf Scholz (SPD, social-democrata), e Armin Laschet (CDU, conservador), o preferido da própria Merkel. Annalena Baerbock, do Partido Verde e às vezes chamadas de a “anti-Merkel”, corre por fora.

A política europeia não teve papel relevante na campanha eleitoral ou nos debates na TV. O que os três planejam fazer caso cheguem ao poder permanece relativamente obscuro para a UE.

França

Até que o novo chanceler na Alemanha tenha sua coalizão formada, o presidente francês, Emmanuel Macron, será sem dúvida o político mais poderoso da UE. Na primeira metade de 2022, ele exercerá a presidência rotativa do Conselho da UE e, em abril de 2022, concorrerá à reeleição em seu país.

Até aqui, Merkel basicamente não deixou Macron impulsionar seus planos europeus, como uma expansão das instituições comunitárias e uma política fiscal mais relaxada.

Somente quando se tratou do debate sobre as dívidas comuns da UE para a reconstrução pós-pandêmica, os dois líderes, tão diferentes, trabalharam lado a lado.

Com Olaf Scholz, talvez seja um pouco mais fácil gastar dinheiro juntos. Afinal, Scholz orgulha-se de ser o verdadeiro inventor do fundo de reconstrução baseado na dívida pandêmica. Scholz também compartilha a ideia de Macron da necessária “soberania” europeia em matéria de defesa, política industrial e proteção climática.

Mas Armin Laschet também. Assim como Scholz, o candidato da CDU visitou o Palácio do Eliseu durante a campanha eleitoral e se autoelogiou como uma mistura de Macron e Merkel. Como um homem de Aachen, cidade no extremo oeste da Alemanha, disse Laschet, Paris está mais perto dele do que Berlim.

Nesta semana, o ministro francês para Assuntos Europeus, Clement Beaune, citou a máxima eternamente válida para a locomotiva franco-alemã na UE: “Na Europa, você nunca é forte sozinho: não podemos sem a Alemanha, a Alemanha não pode sem nós”.

Isso significa que não importa quem se torne chanceler, Paris e Berlim trabalharão juntos. Baerbock, a propósito, não foi a Paris. “O Eliseu não é lugar para a campanha eleitoral”, ela deixou escapar. Há rumores de que ela não tenha sido sequer convidada.

Polônia

Mateusz Morawiecki não deve estar gostando que a era Merkel está chegando ao fim e que um vento mais forte em prol do Estado de Direito pode agora estar soprando de Berlim para o leste.

O primeiro-ministro polonês, do nacionalista conservador partido PiS, está em permanente disputa com a Comissão Europeia e o Tribunal de Justiça Europeu porque as reformas judiciais na Polônia contradizem a lei europeia.

O filósofo e lobista Tomasz Krawczyk, ex-assessor de Morawiecki, disse à DW que agora ficará mais difícil para Varsóvia de qualquer forma: o novo governo de Berlim, independentemente de sua composição, será menos atencioso.

Ele diz que Merkel foi complacente com a Polônia, com uma disposição imparcial. A Comissão Europeia terá em breve um aliado mais forte em Berlim, especula Krawczyk. Laschet, candidato dos conservadores, visitou a Polônia durante a campanha eleitoral e falou algo pouco específico sobre “soluções práticas” na disputa sobre o Estado de Direito.

Annalena Baerbock, do Partido Verde, certamente apoiaria a linha-dura de seus correligionários no Parlamento Europeu contra as políticas cada vez mais anti-LGBTQ na Polônia. No entanto, Baerbock seria ideal para o governo nacionalista polonês em outro campo: ela é contra o gasoduto alemão-russo Nord Stream 2, que a Polônia rejeita estritamente. Laschet quer colocá-lo em operação. Scholz disse vagamente algo sobre “construí-lo, mas na verdade você realmente não precisa dele”.

Os seis espectadores

Os chefes de governo social-democratas de Suécia, Finlândia e Dinamarca até Malta, Espanha e Portugal adorariam ver Olaf Scholz e um governo à esquerda na Alemanha depois de 16 anos de conservadores no poder. Isso seria um grande impulso para a centro-esquerda europeia, que acumulou derrotas nos últimos anos, mas aos poucos está se reerguendo novamente. Por outro lado, seria na mesma medida ruim para os oito chefes de governo conservadores da UE se a maior economia do bloco não for mais liderada pela centro-direita.

O povo

E os próprios europeus? De acordo com uma pesquisa do instituto Conselho Europeu de Relações Exteriores, a maioria dos europeus interrogados gosta de Angela Merkel, uma gestora de crises na UE, porque ela transmite confiança. Os entrevistados também esperam confiabilidade e política fiscal restrita da Alemanha por parte do novo governo. No entanto, em geral, os europeus, segundo a sondagem, veem a “era de ouro” da Alemanha chegando ao fim.

Os especialistas

E o que se pensa em Bruxelas, a “capital da UE”? A Alemanha continuará sendo o maior, economicamente mais poderoso e mais influente Estado-membro, não importa quem esteja sentado no gabinete do chanceler. Não haverá, além disso, uma grande ruptura na política europeia por parte da Alemanha, acredita o diretor do instituto EPC (European Policy Centre), Janis Emmanouilidis.

“Seria bom se houvesse alguma ideia da direção na qual a UE deveria se mover. A orientação seria desejável. Infelizmente, não estou muito confiante de que isso virá do novo governo de Berlim”. Entre as autoridades alemãs na UE, impera o pragmatismo. Por enquanto, dizem, o trabalho continuará como habitualmente, não importa quem ganhe as eleições. As grandes decisões serão adiadas até que o novo governo e seu pessoal se instalem.

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