Raposas se alimentam de restos deixados por humanos há 42 mil anos

Dietas de raposas do passado podem ser bons indicadores do impacto humano em ecossistemas antigos

Raposa-do-ártico: dieta relacionada aos restos deixados por humanos quando eles estão por perto. Crédito: Erik F. Brandsborg/Flickr

As dietas das raposas do passado foram influenciadas pelos seres humanos, e esses pequenos carnívoros podem fornecer pistas da atividade humana ao longo do tempo. A conclusão é de um estudo da Universidade de Tübingen (Alemanha) publicado na revista de acesso aberto “PLOS ONE”.

Raposas adoram sobras. Na natureza, elas se alimentam regularmente de restos deixados por predadores maiores, como ursos e lobos. Mas quanto mais próximas as raposas vivem da civilização humana, mais sua dieta é composta de alimentos que os humanos descartam.

No estudo, Chris Baumann, do Instituto de Arqueologia Científica da Universidade de Tübingen, e seus colegas levantaram a hipótese de que, se esse relacionamento remontasse a tempos antigos, as raposas poderiam ser indicadores úteis do impacto humano no passado.

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Os autores compararam proporções de isótopos de carbono e nitrogênio entre os restos de vários herbívoros, grandes carnívoros e raposas-vermelhas e raposas-do-ártico de vários sítios arqueológicos no sudoeste da Alemanha que datam do Paleolítico Médio e Superior.

Dieta característica

Em locais com mais de 42 mil anos, quando os neandertais ocupavam escassamente a região, as dietas para raposas eram semelhantes às dos grandes carnívoros locais. Mas em locais mais recentes, à medida que o Homo sapiens se tornou comum na área, as raposas desenvolveram uma dieta mais característica. Em grande parte ela era composta por renas. Esses animais eram grandes demais para as raposas caçarem, mas sabe-se que eram uma caça importante para os humanos da época.

Tais resultados sugerem que, durante o Paleolítico Superior, essas raposas mudaram de uma alimentação de restos deixados por grandes predadores locais para outra baseada em alimentos descartados por seres humanos. Isso indica que a dependência das raposas em relação a alimentos humanos remonta a bons 42 mil anos. Os autores propõem que, com estudos adicionais investigando essa relação raposa-humano, as dietas de raposas do passado podem ser indicadores úteis do impacto humano nos ecossistemas ao longo do tempo.

“As reconstruções alimentares das raposas da Era do Gelo mostraram que os humanos modernos primitivos influenciavam o ecossistema local já há 40 mil anos”, acrescentam os autores. “Quanto mais humanos povoavam uma região específica, mais as raposas se adaptavam a eles.”

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