Realidade aumentada, quando o virtual se mistura ao real

Tecnologia amplia nosso conhecimento sobre o mundo, dando-nos a visão expandida da realidade

Situação um, em um futuro não muito distante: você está em uma praça, com seus óculos iguais aos do Arnold Schwarzenegger nos filmes da série O Exterminador do Futuro. Em seu campo de visão, o acessório aponta nomes e histórias de objetos, identifica algumas pessoas e lhe dá informações sobre elas. Você olha para o outro lado e o mesmo tipo de informação já está em sua lente, em questão de poucos segundos.

Situação dois: você está num restaurante, com seu celular com câmera digital embutida. Ao apontar o aparelho para uma pessoa, ele, em poucos minutos, lhe mostra algumas informações reunidas sobre ela, com base em perfil das redes sociais Facebook e Twitter.

Embora a última cena pareça tão futurista quanto a primeira, ela já acontece em países europeus e asiáticos e também pode ser muito popular no Brasil. O reconhecimento de uma pessoa a sua associação a um perfil virtual é um exemplo de realidade aumentada aplicada à telefonia móvel.

Realidade aumentada é quando o elemento virtual (informações pessoais do Facebook e do Twitter, por exemplo) interage com o objeto real (pessoa no restaurante), de modo a ampliar sua percepção do real. Resultado: agora, você conhece informações sobre as pessoas ao seu redor que, num cenário menos tecnológico, não saberia. Muitas das aplicações de realidade aumentada usadas hoje são peças publicitárias e marqueteiras. Um exemplo disso é a campanha da indústria alimentícia Elma Chips para o salgadinho Doritos Sweet Chilli. Na embalagem do produto há um símbolo de realidade aumentada, chamado também de marcador fiducial, que serve como um código de reconhecimento para a webcam. É só acessar o site da promoção Doritos Lovers, colocar a imagem na frente da câmera e esperar alguns minutos para que um monstrinho saia do seu ovo no ambiente virtual. O diferencial dessa campanha é que a criatura pode ser exportada para a rede social Orkut e interagir com os monstros dos amigos.

Tira-gosto

Aqui vai um experimento caseiro bem simples. Você vai levar a webcam a reconhecer um marcador fiducial, fazendo com que a imagem correspondente a ele (escolhida por você) apareça na tela. Serão necessários um computador, uma webcam, impressora e conexão à internet. Acesse o site www.ezflar.com/gen

Imprima a página com o logo preto com uma carinha feliz. Clique no botão “escolher arquivo” ao lado dessa carinha. Selecione uma imagem do seu computador e clique “ok”.

Agora, espere o site reconhecer sua webcam. Depois disso, aparecerá uma tela de vídeo.

Coloque a imagem do marcador fiducial em frente à câmera. E olhe na tela.

No lugar da imagem do marcador, aparecerá aquela que você escolheu. Ao mover a folha, o espaço correspondente ao símbolo será preenchido com a imagem escolhida.

 

 

 

 

O mesmo tipo de recurso foi usado em jogos atuais, como Eye of Judgement, para a plataforma PlayStation 3. Ao colocar as cartas diante da câmera, aparece um monstrinho animado na tela. Charme semelhante foi usado em cardgames de esporte. No mundo virtual, jogadores se erguem do card.

A realidade aumentada atingiu até os amantes de calçados esportivos. A Adidas investiu nos jogos com esse recurso lançando a linha 523 Augmented Reality, cujos tênis possuem um marcador na língua. Quando o usuário acessa o espaço Originals Neighbourhood do site oficial da marca e põe o produto em frente à webcam, consegue acessar jogos. No primeiro jogo desenvolvido, o Stormtrooper take down, inspirado em Star Wars – Guerra nas Estrelas, a pessoa deve disparar balões de tinta nos soldados brancos.

Hoje em dia, os mecanismos mais comuns para se criar um cenário de realidade aumentada são webcam e computador, em virtude da maior facilidade de aquisição. Martha Gabriel, diretora de tecnologia da New Media Developers e professora de pós-graduação da Business School São Paulo, da Universidade Anhembi-Morumbi, do Senac e do Centro Universitário Belas Artes, explica que, alguns anos atrás, só era possível haver essa interação entre a realidade e o digital com óculos e outros equipamentos especiais muito caros, acessíveis apenas a governos e a algumas universidades. Com o aumento de celulares, webcams, conexão à internet em banda larga e o barateamento desse tipo de tecnologia, é esperado que a realidade aumentada esteja mais presente no dia a dia. “Mas a gente tem vários outros mecanismos, como câmeras com óculos, lentes de contato, braceletes, sensores de movimento e dispositivos de som”, conta ela.

O aplicativo para celular Layar faz busca de serviços e guia o usuário ao estabelecimento na cidade.

Com ele, é possível ter acesso a informações técnicas e históricas de construções civis.

A empresa canadense Arcane Technologies aposta no Mirage, um dispositivo semelhante a um binóculo com duas telas, uma para cada olho, que mostra uma animação de realidade aumentada em três dimensões. É possível usá-lo, por exemplo, para fazer recortes diferentes, e de vários ângulos, do cérebro de uma pessoa em uma cabeça de manequim. Em breve, esse tipo de tecnologia pode ajudar a sobrepor um exame de raio X no corpo de uma pessoa na mesa de operação, ajudando o médico a encontrar os pontos exatos para a cirurgia.

Cientistas da Universidade de Washington, nos Estados Unidos, têm trabalhado em uma lente de contato movida a energia solar para funcionar como um mecanismo para realidade aumentada. Ao olhar para um marcador fiducial, o conteúdo – imagem ou texto – aparece nos olhos do usuário. Por enquanto, o mecanismo só foi testado em coelhos.

 

Uma aplicação da realidade aumentada já disponível atualmente é o navegador de internet (browser) para celular chamado Layar. “É um browser de realidade aumentada para Android (o sistema operacional para celulares do Google) e iPhone. Ele funciona da seguinte maneira: você está numa praça e o Layar mostra onde tem hospital, hotel, etc.”, exemplifica Martha. Ela também cita os aplicativos para celular que mostram quais pessoas com perfil em redes sociais estão na região. Outro mecanismo cobiçado por empresas é o desenvolvimento de um óculos especial que auxilia na manutenção do motor de um carro, por exemplo. Usando realidade aumentada, ele dá instruções para que o proprietário do veículo realize a manutenção assistida.

Marcadores de realidade aumentada

É o símbolo que codifica o acesso a determinada informação. Pode ser uma figura, uma cor, um movimento e até um rosto! Em alguns aplicativos para celular, os monumentos são o marcador para aparecer as informações sobre ele (como história) na tela do aparelho.

Martha Gabriel afirma que a tecnologia de reconhecimento de rosto ainda tem de ser aprimorada, pois o sistema ainda não consegue acompanhar as mudanças físicas de uma pessoa automaticamente. “Tecnologias baseadas em biometria são tão desafiadoras quanto as modificações que um dado biométrico pode sofrer. Assim, é bastante difícil manter a confiabilidade de voz e face, pois elas se modificam bastante. Já a íris do olho, o DNA e as impressões digitais são dados biométricos estáveis. As tecnologias que se baseiam em dados biométricos precisam levar em consideração suas variações”, explica.

Impressionado? Pois Martha ainda comenta que essas aplicações são “fichinhas” perto do potencial tecnológico esperado. E o que mais se pode aguardar em termos de realidade aumentada? “Você pode começar a conectar tudo no seu cérebro por meio de um chip de nanotecnologia. Com ele, você pode pegar informações do mundo digital e aumentar qualquer coisa do real”, reflete.

O termo realidade aumentada foi criado há cerca de 30 anos e hoje está inserido no conceito de realidade mista, criada nos anos 1990 por Paul Milgram. Realidade mista consiste em objetos virtuais interagindo com o real. Há quatro graus de interação: realidade total (a que vivemos), realidade aumentada (virtual ajuda a ampliar o real), virtualidade aumentada (real ajuda a ampliar o virtual) e realidade virtual total (quando a consciência está no virtual). Nenhuma dessas três últimas realidades foi 100% explorada, por falta de aparatos tecnológicos e pesquisa. Imagine conseguir fazer com que nossa mente faça parte de um computador e que pudéssemos ingressar e ter vivências em um mundo virtual, como no filme Matrix? Um dia veremos isso acontecer, mas não há como prever quando será possível.

 

 

Martha aponta que um dos problemas em termos de realidade aumentada é a falta de pessoas explorando seu potencial. “É também um desafio, porque sempre que você dirige a câmera para algo, aparece uma animação, que tem de ser feita antes”, explica. Então, há um trabalho muito maior por trás da realidade aumentada. Quantas animações e informações não seriam necessárias para identificar todos os objetos que compõem uma cidade do porte de Nova York, Tóquio, São Paulo ou Rio de Janeiro?

Outro problema relacionado à realidade aumentada é a utilização indiscriminada dos seus recursos para montar animações que não estejam ligadas a um conceito de trabalho específico. “É um problema quando há o uso da tecnologia pela tecnologia”, critica Martha. “É preciso usá-la quando faz sentido e não porque é moda. Porque daqui a pouco as pessoas vão achar que a realidade aumentada é algo bobo, porque não é feita para aplicações que façam sentido. Quando começa a usar uma tecnologia para qualquer coisa e começa a virar algo vazio.” A banalização e o uso superficial da tecnologia podem diminuir as apostas na área. E, pelo contrário, há muito o que se fazer para que a realidade aumentada facilite nossas vidas.

 

 

 

 

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