Realidade virtual é ferramenta para melhorar saúde mental de idosos

Tecnologia mostrou resultados muito positivos em moradores de clínica australiana

Realidade virtual: ferramenta valiosa para a atividade cerebral de idosos. Crédito: Pikrepo

Relembrar suas aventuras passadas e as memórias mais positivas por meio da tecnologia de realidade virtual (RV, ou VR, na sigla em inglês) está ajudando os residentes de uma clínica para idosos dessa cidade australiana a melhorar sua saúde mental, graças a um novo estudo da Universidade da Austrália Meridional (UniSA, na sigla em inglês). O trabalho foi publicado na revista “Journal of Medical Internet Research”.

Jim Saredakis, doutorando da UniSA, está usando a realidade virtual para lidar com a apatia generalizada em lares de idosos. O problema acelera o declínio cognitivo e pode afetar até 84% dos residentes mais velhos.

“A falta de interesse pela vida e a perda de motivação são extremamente comuns entre pessoas em lares de idosos”, diz Saredakis. “A apatia contribui para uma pior qualidade de vida e está associada a um risco três vezes maior de morte precoce em comparação com aqueles sem apatia.”

A música e a arteterapia costumam ser usadas para motivar idosos residentes em casas de repouso, mas a realidade virtual pode ser usada como uma ferramenta poderosa para a “terapia da reminiscência”, que permite que os idosos mergulhem em memórias mais felizes do passado.

Memórias positivas

Saredakis adaptou experiências de RV para 17 residentes da clínica Helping Hand. Ele entrevistou cada um sobre sua história de vida com foco em memórias positivas e, em seguida, buscou conteúdo específico para cada pessoa.

O conteúdo foi visualizado por meio de um vídeo de 360 ​​graus em monitores usados na cabeça. Ele permite aos residentes reviver memórias autobiográficas de viagens, lugares favoritos, empregos, vídeos de família e outras conexões sociais.

“É um livro de histórias da vida digital. Uma ferramenta poderosa que leva os residentes de instituições destinadas a idosos para longe do mundo em que vivem e para uma época e lugar mais felizes, sem outras distrações”, diz Saredakis.

O feedback foi extremamente positivo. “Vi uma mudança visível neles”, afirma Saredakis. “As respostas emocionais foram variadas (incluindo lágrimas de felicidade), mas sempre positivas.”

Mais importante: as melhorias na fluência verbal – um indicador-chave de apatia – foram marcantes. Os residentes com níveis mais altos de apatia lembravam muito mais palavras imediatamente após as sessões de imersão do que antes, possivelmente ativando regiões específicas do cérebro.

Cérebro ativado

“Acreditamos que estar em um ambiente imersivo estimula as áreas do cérebro envolvidas na fluência verbal”, diz Saredakis. “O que descobrimos foi que pessoas com altos níveis de apatia disseram mais palavras após a experiência, disparando algo em seu cérebro. Foi um efeito imediato e não sabemos quanto tempo durou.”

Alguns efeitos colaterais negativos da experiência de realidade virtual foram relatados, incluindo tontura e náusea – como enjoo – e algum cansaço visual. No entanto, todos os participantes endossaram o projeto e disseram que era sua atividade caseira favorita.

“O fato de os residentes com os níveis mais altos de apatia terem mostrado as maiores melhorias nos diz que a realidade virtual pode ajudar a melhorar a vida dos idosos em instituições de acolhimento”, diz Saredakis.

Veja também

+ Invasão de vespas assassinas aumenta tensão com 2020 nos EUA
+ Anticoagulante reduz em 70% infecção de células pelo coronavírus
+ Assintomáticos: 5 dúvidas sobre quem pega o vírus e não tem sintomas
+ 12 dicas de como fazer jejum intermitente com segurança