Reveladas três cidades antigas abaixo de Córdoba, na Espanha

Usando a tecnologia LiDAR, os pesquisadores criaram mapas tridimensionais da região que reconstroem digitalmente três cidades construídas umas sobre as outras ao longo de mais de 2.000 anos

A cidade de Córdoba hoje, ao longo do rio Guadalquivir, esconde três outras cidades nos seus subterrâneos (Crédito: Berthold Werner)

Graças a uma nova tecnologia laser, conhecida como LiDAR, que ajuda os arqueólogos a descobrir estruturas perdidas abaixo da terra, foram mapeadas sob a moderna Córdoba, na Espanha, três cidades construídas umas sobre as outras ao longo de mais de 2.000 anos.

Os mais de 300.000 habitantes atuais nem imaginam que nos subterrâneos dos prédios há muitas ruínas milenares. Os pesquisadores da Universidade de Córdoba criaram mapas tridimensionais da região que reconstroem digitalmente a evolução da cidade, a partir de um voo LiDAR realizado em 2016, conduzido pelo Instituto Geográfico Nacional e cujo resultado foi publicado recentemente na Geosciences.

Até o momento descobriu-se que há mais de 2.000 anos, Córdoba foi primeiramente uma cidade ibérica localizada em uma colina agora chamada Quemados. Há também evidências sugerindo que durante a Idade do Bronze foi ocupada por uma sociedade caracterizada pela metalurgia. E, por volta de 169 a.C., o líder militar romano Marcus Claudius Marcellus construiu uma nova cidade a oeste das anteriores para que Roma pudesse controlar o vale médio do rio Guadalquivir e as ricas minas localizadas nas montanhas próximas.

As quatro Córdobas: cidade ibérica, romana e medieval e sua nova extensão do século 12 (Crédito: Universidade de Córdoba)

Embora nos tempos romanos e medievais, a cidade tenha se espalhado pelo leito do rio, onde os moradores construíram altas fundações e fortificações para evitar inundações, a última cidade antiga está enterrada sob muita argila “provavelmente devido a uma enorme inundação”, segundo o levantamento.

A tecnologia LiDAR
Desenvolvida nos anos 70 para auxiliar na exploração espacial, a tecnologia LiDAR (Light Detection and Ranging) foi usada na missão Apollo 15 para mapear a superfície da Lua. O laser é capaz de medir distâncias e, quando ligado a um GPS de alta precisão e montado em uma plataforma aérea – como um avião, helicóptero ou, futuramente, um drone -, pode produzir uma nuvem de pontos tridimensional em diferentes profundidades do solo.

Para os arqueólogos isso significa poder mapear rapidamente enormes áreas de paisagens antigas. Os lasers são realmente capazes de “ver através” da vegetação através de múltiplas varreduras e gravando várias varrições a partir de um único pulso. Ao escolher cuidadosamente a época correta do ano é possível gravar paisagens em ambientes tropicais – uma façanha com a qual os arqueólogos terrestres sempre tiveram grandes dificuldades, devido à densa cobertura de plantas e à má recepção de GPS.

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