Rochas em cratera de Marte mostram sinais de interações com água

Amostras deverão ser trazidas para a Terra e começar a ser examinadas aqui em 2030

Cratera Jezero na área onde o Perseverance está pousado: primeira coleta de amostra de rocha. Crédito: Nasa/JPL-Caltech/ASU/MSSS

Desde que pousou na cratera Jezero, em Marte, em fevereiro deste ano, o rover Perseverance e sua equipe de cientistas na Terra têm trabalhado arduamente para explorar o fundo da cratera que outrora abrigou um antigo lago. O Perseverance e a missão Mars 2020 estão procurando por sinais de vida antiga em Marte e preparando um conjunto retornável de amostras para análises posteriores na Terra.

Katie Stack Morgan, cientista adjunta do projeto Mars 2020 e cientista pesquisadora do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa, vai fornecer uma atualização sobre os primeiros resultados da missão Mars 2020 no domingo, 10 de outubro, na reunião anual Connects 2021, da Geological Society of America, em Portland, Oregon.

Com o conjunto de instrumentos de bordo de alta tecnologia do Perseverance, a equipe científica tem analisado as rochas do fundo da cratera, interpretadas por enquanto como rochas ígneas, presumivelmente um fluxo de lava vulcânica.

Janela de tempo

“A ideia de que essa poderia ser uma rocha vulcânica era realmente atraente para nós de uma perspectiva de retorno de amostra, porque rochas ígneas são ótimas para obter datas de idade precisas. Jezero era um dos poucos locais de lagos de crateras antigas em Marte que pareciam ter incríveis depósitos de sedimentos e depósitos vulcânicos que podem nos ajudar a construir a escala de tempo geológica de Marte”, disse Stack Morgan.

O sistema de lagos e rios que drenaram para a cratera Jezero estava provavelmente ativo por volta de 3,8-3,6 bilhões de anos atrás. Mas a capacidade de datar diretamente a idade das rochas em laboratórios na Terra fornecerá a primeira visão definitiva da janela de tempo em que Marte pode ter sido um planeta habitável.

Usando a ferramenta de abrasão do Perseverance – que arranha a superfície superior da rocha para revelar a rocha e suas texturas –, a equipe descobriu que o fundo da cratera parece ser composto de minerais ígneos de granulação mais grossa, e também há uma variedade de sais nas rochas. As observações sugerem que a água causou grande intemperismo e alteração do fundo da cratera, o que significa que as rochas ficaram sujeitas à água por um período de tempo significativo.

Depois de usar suas ferramentas de bordo para analisar as características do fundo da cratera, a fase seguinte para o Perseverance foi coletar uma amostra de rocha usando seu recurso de perfuração. No entanto, depois que o Perseverance completou sua primeira tentativa de perfuração, o tubo de amostra do núcleo ficou vazio.

Coleta com êxito

“Passamos alguns dias olhando ao redor do rover pensando que o núcleo poderia ter caído da broca. Em seguida, olhamos de volta para o buraco da sondagem pensando que ele nunca poderia ter saído do buraco. Todas essas buscas foram infrutíferas. No final, concluímos que o núcleo foi pulverizado durante a perfuração”, disse Stack Morgan.

A rocha provavelmente ficou tão alterada e enfraquecida pelas interações com a água que as vibrações e a força da broca do Perseverance pulverizaram a amostra.

Os cientistas então miraram em outra rocha que parecia mais resistente ao intemperismo. O Perseverance conseguiu então coletar com sucesso duas amostras de núcleo – a primeira em sua coleção de amostras. O conjunto de amostras do Perseverance fará parte de uma transferência de várias espaçonaves, ainda em desenvolvimento, que, se tudo der certo, trará o material para a Terra no início de 2030. A partir daí, cientistas em laboratórios na Terra irão datar e analisar as rochas para ver se pode haver algum sinal de vida marciana antiga.

“As rochas do fundo da cratera não foram originariamente concebidas como o principal alvo astrobiológico da missão, mas Marte sempre nos surpreende quando olhamos de perto. Estamos entusiasmados em descobrir que mesmo essas rochas experimentaram interação contínua com a água e poderiam ter sido habitáveis para micróbios marcianos antigos”, disse Stack Morgan.

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