Rodovias paulistas receberão 30 pontos de carga ultrarrápida para carro elétrico

Novos pontos de carregamento vão cobrir todo o estado de São Paulo e conectar os principais corredores elétricos do país

Executivos das empresas envolvidas no projeto ao lado de modelo de unidade de recarga ultrarrápida a ser instalada: mobilidade elétrica em expansão no território paulista. Crédito: Divulgação

Com o objetivo de incentivar a transição energética do Brasil e de promover soluções de mobilidade baseadas em fontes não poluentes, a EDP, empresa que atua em toda a cadeia de valor do setor elétrico, anunciou hoje a instalação de 30 novas estações de recarga ultrarrápida de veículos elétricos cobrindo todo o estado de São Paulo. As marcas Audi, Porsche e Volkswagen serão parceiras da EDP nesse projeto, realizando os testes com seus veículos para homologação da infraestrutura. As empresas ABB, Electric Mobility Brasil e Siemens serão as fornecedoras das soluções de carregamento.

A iniciativa, com investimento de R$ 32,9 milhões, vai conectar um total de 64 pontos de carregamento que interligam São Paulo, Rio de Janeiro, Vitória, Curitiba e Florianópolis, formando um corredor de abastecimento de automóveis elétricos com mais de 2.500 quilômetros de extensão. Aprovado na chamada pública da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para o tema Mobilidade Elétrica Eficiente, este é o primeiro e maior projeto da América do Sul de instalação de carregadores ultrarrápidos (150kW e 350kW). A implementação da rede será iniciada ainda em 2019 e as primeiras inaugurações estão programadas para 2020, com a conclusão em até três anos.

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Os novos eletropostos farão da EDP a líder em postos de carregamento ultrarrápido (capazes de reabastecer 80% da bateria de um carro entre 25 e 30 minutos) no Brasil. Serão 29 postos de 150kW (DC) e um posto de 350 kW (DC), além de 30 equipamentos de 22kW (AC). Assim, cada ponto de recarga terá uma estação ultrarrápida e uma semirrápida.

Papel fundamental

“A EDP acredita que a oferta de infraestrutura adequada e de soluções inovadoras é fundamental para a expansão sustentável da mobilidade elétrica no Brasil. Com a criação desta nova rede de eletropostos cobrindo todo o estado de São Paulo e conectando os principais corredores elétricos do país, a EDP se posiciona mais uma vez de forma pioneira para liderar a transição para uma economia de baixo carbono”, afirma Miguel Setas, presidente da EDP no Brasil.

“A onda de eletrificação veicular começa a chegar com mais intensidade no Brasil e esse projeto terá um papel fundamental principalmente na confiança dos consumidores, que passam a confiar na qualidade e quantidade de postos da rede de recarga. Para a Audi, é uma etapa muito importante, porque o e-tron, primeiro SUV 100% elétrico da marca, será lançando no mercado brasileiro até maio de 2020”, afirma Johannes Roscheck, CEO e presidente da Audi do Brasil. “No mundo, a empresa planeja lançar 30 modelos eletrificados até 2025.”

“A realização desta parceria representa um avanço na direção de uma infraestrutura abrangente de carregamento rápido no Brasil. Esta é uma importante iniciativa para criarmos um ambiente de carregamento funcional e assegurar que a eletromobilidade seja aceita e expandida”, declara Andreas Marquardt, diretor-presidente da Porsche Brasil. “Recentemente lançamos o Taycan, primeiro esportivo puramente elétrico da marca. Com os novos postos de carregamento, é possível oferecer conforto e segurança para que nossos clientes possam utilizar seus veículos elétricos em longas viagens sem comprometer a conveniência. A estação de carregamento rápido de 350kw é capaz de carregar 80% da bateria do Taycan em apenas 22,5 minutos – o equivalente a um alcance aproximado de 400 quilômetros. Ele chegará ao mercado em 2020, trazendo a mobilidade elétrica ao uso diário.”

Desafio do ecossistema

“A marca Volkswagen é líder em eletrificação em âmbito mundial. Na região América Latina vamos lançar seis carros elétricos e híbridos até 2023”, explica Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen América Latina. “O primeiro deles é o Golf GTE, híbrido plug-in que chega ao mercado brasileiro no início de novembro. Sabemos que o principal desafio hoje é o ecossistema completo para a eletrificação. O sucesso dessa estratégia depende de uma ampla infraestrutura de carregamento para oferecer um serviço de qualidade para o consumidor. É necessária uma visão 360°, com o envolvimento de todas as partes interessadas, como governo, iniciativa privada, sociedade e entidades, para que tenhamos políticas estratégicas e regulamentadas para fomentar investimentos na eletrificação no Brasil”.

“A parceria que estamos anunciando hoje é pioneira e destaca-se como um marco na eletrificação do nosso país, sendo um passo importante na construção de uma estrutura abrangente de estações de carregamento de veículos híbridos e elétricos no Brasil. Tenho a convicção de que este projeto contribuirá bastante para elevar a confiança do consumidor na compra de um automóvel híbrido ou elétrico nos próximos anos”, acrescentou Di Si.

“Para a Siemens, é muito importante estar presente em mais esse marco, que além de posicionar o país no radar global da eletromobilidade, também viabiliza uma excelente alternativa sustentável para a matriz elétrica e de transporte no Brasil,” afirma André Clark, presidente e CEO da Siemens no Brasil.

Geração de conhecimento

Ao todo, os projetos de mobilidade elétrica apresentados pela EDP na Chamada Pública da Aneel representam um investimento de cerca de R$ 50 milhões, via Fundo de Pesquisa e Desenvolvimento da Aneel, recursos próprios e de parceiros. Essas iniciativas permitirão estudar e desenvolver um modelo de negócio e de cobrança, aplicável a todo o território nacional, para a venda de soluções de carregamento para o cliente final, além de aplicações tecnológicas para informar os condutores de veículos elétricos sobre a localização e disponibilidade dos postos de recarga de cada região, com a possibilidade de reserva antecipada.

Paralelamente, também será pesquisado um modelo de oferta de serviços para motoristas de aplicativos. Por fim, os estudos realizados no âmbito do P&D permitirão criar e aperfeiçoar um carregador móvel para socorrer os condutores, cujas baterias descarreguem antes de chegar a um eletroposto.

“Com a entrada em operação dessa rede de abastecimento, o Brasil dá um importante passo rumo ao futuro para uma economia de baixo carbono. No Estado de São Paulo, 60% da energia consumida é de origem renovável e essa iniciativa vai fortalecer ainda mais para que nossa matriz energética continue sendo renovável e sustentável”, explica o secretário de Infraestrutura e Meio Ambiente de São Paulo, Marcos Penido.

Futuro da mobilidade

De acordo com uma recente pesquisa publicada pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF), os veículos elétricos representarão 57% das vendas em todo mundo até 2040, com mais de 56 milhões de unidades, contra 2 milhões registrados em 2018. Paralelamente a esse movimento, o mercado de automóveis a combustão deve encolher para 42 milhões de unidades em pouco mais de duas décadas, ante 85 milhões registrados em 2018.

No Brasil, com o objetivo de estimular a mobilidade elétrica, a Aneel abriu uma chamada pública que recebeu ao longo dos últimos meses 38 propostas de projetos, com uma expectativa de investimento que supera meio bilhão de reais.

O objetivo dessa iniciativa é gerar a infraestrutura e o conhecimento necessários para impulsionar o mercado de carros elétricos. No País, atualmente, existem mais de 8.500 veículos híbridos e elétricos em circulação. De acordo com estudo do Boston Consulting Group, a expectativa é que o número de automóveis elétricos no Brasil chegue a 2 milhões em 2030.

Rodovias que receberão os novos pontos de carregamento

As estações estarão posicionadas a uma distância máxima de 150 quilômetros, garantindo total autonomia aos motoristas de veículos elétricos

  • Tamoios
  • Imigrantes
  • Carvalho Pinto
  • Governador Mário Covas (conexão com o litoral paulista e Espírito Santo)
  • Dom Pedro
  • Washington Luís
  • Régis Bittencourt (conexão com corredores do Paraná e Santa Catarina)

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