Salvador retira 22 toneladas de óleo em apenas 8 horas

Em duas semanas, a quantidade de óleo recolhida em 33 praias da Bahia chegou a 60 toneladas

Manchas de óleo em Pituba, Salvador / Foto: Reprodução TV Globo

Novas manchas de óleo apareceram em Salvador. Pelo menos 22 toneladas de óleo foram retiradas pela Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb) em oito horas, na Praia da Pituba.

Segundo a Limpurb, a operação de limpeza nesta quarta-feira (16) começou com 80 agentes, mas a equipe foi aumentada para 375 funcionários depois que novas manchas começaram a ser reportadas.

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As grandes manchas na praia de Pituba ocuparam 600 metros nesta quarta-feira (16). Em duas semanas, a quantidade de óleo recolhida em 33 praias da Bahia em duas semanas chegou a 60 toneladas.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, esteve em Salvador e afirmou que as manchas de óleo nas praias do Nordeste são um caso de poluição “sem precedente” no país.

“O problema é que é um caso sem precedentes, e a origem do óleo é desconhecida. Já se sabe que o óleo não é brasileiro, que tem provavelmente origem venezuelana, mas não se sabe como ele vazou para o litoral brasileiro. Isso dificulta, portanto, medidas de contenção. Aquelas medidas de contenção que podem ser pertinentes nos casos de determinado acidente, conhecida a origem, não são necessariamente pertinentes num caso de poluição difusa como estamos vendo aqui”, afirmou o ministro, em Salvador, após sobrevoo no litoral da Bahia.

Origem
Segundo o almirante Alexandre Rabello de Faria, chefe do Estado Maior do Comando de Operações Navais, lembrou que, até agora, a única certeza nas investigações é que o DNA do óleo bruto é venezuelano.

Apesar disso, não é possível afirmar como e nem por quem ele foi derramado. O militar acredita que o desastre foi um ato criminoso e comparou a situação a uma bala perdida que atingiu a costa brasileira. Para ele, resta saber de quem disparou a arma.

O almirante também ressaltou que pelo menos quatro hipóteses são estudadas e nenhuma está descartada, a começar por acidente na transferência de óleo de um navio para o outro. A operação chamada de sheep to sheep [ovelha para ovelha] não é a principal delas porque dificilmente ocorreria em alto mar.

Outra possibilidade, considerada remota, é o naufrágio de um navio petroleiro. Também não estão descartadas a hipótese de derramamento acidental de navio por rompimento de casco e derramamento intencional.

Ainda segundo o chefe do Estado Maior do Comando de Operações Navais, 1,5 mil militares estão trabalhando nessa operação, além de sete navios que navegam na costa brasileira procurando manchas. Há ainda um helicóptero com um sonar, mas não foram encontradas manchas na superfície do mar. O militar explicou que não é o caso de usar submarinos porque a mancha é silenciosa e não pode ser detectada por sensores acústicos.