Satélites ajudam a identificar pontes com risco de queda

A queda de parte da Ponte Morandi, em Gênova, foi o ponto de partida para a criação da técnica. Foto: Salvatore Fabbrizio/Wikimedia

Técnica que encontra mudanças minúsculas na estrutura de pontes surgiu a partir da queda de viaduto na Itália

 

A tragédia da Ponte Morandi, que caiu em agosto de 2018 em Gênova (Itália), matando dezenas de pessoas, inspirou cientistas a criar uma técnica de identificar risco de colapso nessas obras com a participação fundamental de satélites, apresentada recentemente em artigo na publicação “Remote Sensing” e noticiada pelo site NBC News. A nova técnica, que usa modelagem por computador e imagens obtidas a centenas de quilômetros de altura, consegue detectar mudanças sutis na estrutura de uma ponte – algumas tão pequenas que podem ser indetectáveis durante as inspeções visuais tradicionais, dizem os pesquisadores.

“Pode ser difícil para um engenheiro detectar [pequenas mudanças] a olho nu”, afirma Pietro Milillo, cientista do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa (JPL-Nasa) e líder da equipe internacional de cientistas que desenvolveu o método. Mas com imagens de satélite, ele observa, os pesquisadores determinaram que era possível “detectar deformações e priorizar a intervenção de engenheiros nessas estruturas”. Milillo ressalta: “Esse método não pode ser usado apenas como um aviso, mas também como uma ferramenta que pode priorizar qual infraestrutura deve ser consertada inicialmente”.

Milillo e seus colegas da Universidade de Bath (Inglaterra) e da Agência Espacial Italiana construíram um modelo computadorizado detalhado da Ponte Morandi usando sucessivas fotos de satélite feitas entre 2003 e 2018. Os satélites foram equipados com um radar que possibilita criar de imagens tridimensionais de alta resolução. Em seguida, um algoritmo de computador foi usado para apontar mudanças mínimas, mas preocupantes, na estrutura da ponte em 2015, três anos antes da sua queda.

“Um satélite orbitando a 680 quilômetros é capaz de detectar deformações na ordem de um milímetro”, diz Milillo.

O cientista considera que o sistema ainda precisa ser aprimorado para se tornar operacional. “O verdadeiro desafio é estabelecer um sistema quase em tempo real capaz de identificar esses sinais antes que esses colapsos aconteçam”, afirma.