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Arqueologia20/01/2022

Satélites revelam segredos de antigas tumbas do Japão

Vista aérea do Daisen Kofun: orientado para o Sol nascendo no solstício de inverno. Crédito: Ministério do Território, Infraestrutura, Transporte e Turismo

20/01/22 - 13h11min - Atualizado em 20/01/22 - 13h12min

Um grupo de pesquisa do Politécnico de Milão (Itália) analisou a orientação das antigas tumbas japonesas – os chamados Kofun. Esse estudo nunca havia sido realizado antes, devido ao grande número de monumentos e ao fato de o acesso a essas áreas ser habitualmente interditado. Por essas razões, foram utilizadas imagens de satélite de alta resolução. Os resultados mostram que esses túmulos estão orientados para o arco do sol nascente, a deusa Amaterasu, que os imperadores japoneses vinculam à origem mítica de sua dinastia. O trabalho foi publicado na revista Remote Sensing.

O arquipélago japonês é pontilhado com centenas desses túmulos antigos, os maiores dos quais têm a forma típica de um buraco de fechadura. Eles foram construídos entre os séculos 3 e 7 d.C. Os mais imponentes deles são atribuídos aos semilendários primeiros imperadores, enquanto os menores pertencem provavelmente a oficiais da corte e a membros da família real. Entre estes, o chamado Daisen Kofun é um dos maiores monumentos já erguidos na Terra: mede 486 metros de comprimento e cerca de 36 metros de altura. É tradicionalmente atribuído a Nintoku, o 16º imperador do Japão.

O Daisen Kofun pertence a um conjunto de túmulos recentemente inscritos na Lista do Patrimônio Mundial da Unesco. Não existem fontes escritas sobre esses túmulos, e as escavações são raras e limitadas aos menores, já que os maiores são considerados os túmulos dos primeiros semi-imperadores lendários e, como tal, são estritamente protegidos por lei. A proteção estende-se também ao exterior: muitos monumentos estão vedados, não sendo permitida a entrada no perímetro.

Forte conexão

Por tais razões, é impossível obter medidas precisas de tamanho, altura e orientação. Além disso, o número desses monumentos desencoraja qualquer investigação de campo. Portanto, é natural estudá-los usando imagens de satélite de alta resolução, que fornecem ferramentas simples, mas muito poderosas para investigações de sensoriamento remoto.

Foi o que fizeram Norma Baratta, Arianna Picotti e Giulio Magli, do Politécnico de Milão, com o objetivo de aprofundar o conhecimento das relações desses fascinantes monumentos com a paisagem e, em particular, com o céu. A equipe mediu a orientação de mais de 100 Kofuns e chegou a conclusões interessantes. Os resultados indicam uma forte conexão dos corredores de entrada do Kofun com o arco no céu onde o Sol e a Lua são visíveis todos os dias do ano e mostra a orientação dos maiores Kofuns em forma de buraco de fechadura para o arco do Sol nascendo/brilhando. Em particular, o Daisen Kofun é orientado para o Sol nascendo no solstício de inverno.

A orientação das tumbas imperiais em direção ao Sol não acontece por acaso. Na verdade, está em pleno acordo com a tradição imperial japonesa. De fato, a origem mítica da dinastia dos imperadores japoneses os considera descendentes diretos da deusa do Sol Amaterasu.

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