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Featured15/02/2022

Sebastião Salgado: A Amazônia desnudada

Manda Yawanawá, filha de Jeré Yawanawá, da aldeia Escondido, Terra Indígena Rio Gregório, Acre, Brasil, 2016. A comunidade Yawanawá, que tinha apenas 120 membros na década de 1970, conseguiu se reconstruir e se reconectar o conhecimento dos mais velhos. Crédito: © Sebastião Salgado

15/02/22 - 11h24min - Atualizado em 21/02/22 - 10h59min

Céus cheios de nuvens escuras, moradores da floresta capturados na intimidade de suas vidas diárias, montanhas emergindo da vegetação. A Amazônia que Sebastião Salgado nos mostra não é de clichês – toda exuberância e cores vivas, com variações de folhagem verde brilhante, terra roxa e rios irrigando a floresta. Ao contrário, as imagens de Salgado retratam um mundo em claro-escuro, grandioso, complexo. Frágil também.

Pois a Amazônia – lar de 370 mil povos indígenas e um sumidouro de carbono que absorve quase 10% do CO2 do mundo – está ameaçada. De acordo com uma estimativa de novembro de 2021 do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento, em grande parte ilegal, aumentou quase 22% em um ano – com mais de 13 mil novos quilômetros quadrados de floresta derrubados.

Com seu livro Amazônia, publicado em 2021, o fotojornalista brasileiro homenageia a beleza da floresta amazônica, que ele acredita que ainda não é tarde para salvar. “Meu desejo, com todo meu coração, com toda minha energia, com toda a paixão que possuo, é que daqui a 50 anos este livro não se assemelhe ao registro de um mundo perdido”, diz Salgado. “A Amazônia deve continuar viva.”

Retorno da biodiversidade

Em 1998, Salgado e sua esposa, Lélia, fundaram o Instituto Terra, localizado na fazenda da família do fotógrafo, no vale do rio Doce. Para recuperar essa terra degradada pela erosão, o casal estabeleceu um programa de reflorestamento em Minas Gerais, plantando 3 milhões de árvores em 20 anos.

“Toda a biodiversidade voltou, até as onças, que se julgavam extintas em nossa região”, entusiasma-se o fotógrafo. O Instituto, que faz parte da reserva da biosfera da Mata Atlântica da Unesco, também tem vocação educativa, de conscientização sobre o meio ambiente. Todos esses são objetivos do programa O Homem e a Biosfera (MAB ) da Unesco – que completou 50 anos em 2021, e com o qual Salgado está ativamente envolvido.

Amazônia também é uma exposição de fotografia. Depois de Paris, Roma e Londres, ela passa por São Paulo, Rio de Janeiro e Manchester em 2022. As imagens de Sebastião Salgado também foram expostas nas comemorações dos 75 anos da Unesco, em novembro de 2021.

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