Seca em Santa Catarina expõe fósseis de mais de 280 milhões de anos

Estiagem revelou um novo sítio de fósseis em território catarinense; réptil identificado vivia na época em que América do Sul, África, Antártida, Índia e Austrália estavam unidas

Mesossauro: réptil aquático que viveu há 280 milhões de anos no que é hoje o interior de Santa Catarina. Crédito: Cenpaleo/UnC

A seca que assola Santa Catarina fez aparecer no leito do rio Negro rochas com fósseis de uma espécie de réptil marinho conhecida como mesossauro. A identificação foi realizada pela equipe do Centro Paleontológico (Cenpaleo) da Universidade do Contestado (SC), que esteve no município de Três Barras, na divisa com o Paraná, realizando coleta de amostras para análise.

Segundo Luiz Carlos Weinschütz, coordenador do Cenpaleo, o aparecimento das rochas, efeito da grande seca que assola a região, trouxe à tona um novo local de ocorrência dos fósseis de répteis que viveram na região há mais de 280 milhões de anos. “Apesar de estarmos vivenciando este período de seca, essa é uma importante descoberta científica para a região.”

Pesquisadores da Universidade do Contestado examinam o leito seco do rio Negro. Crédito: Cenpaleo/UnC

Os mesossauros viveram cerca de 280 milhões de anos atrás, portanto, bem antes dos dinossauros (230 a 65 milhões de anos). Quando esses répteis estavam vivos, a América do Sul ainda estava ligada à África, à Antártida, à Índia e à Austrália, formando o continente Gondwana (parte sul do supercontinente Pangeia). Eles tinham hábito aquático, mediam até 1 metro de comprimento e viviam em grandes lagos de água salobra a salgada. Provavelmente se alimentavam de pequenos crustáceos.

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A rocha onde estão esses fósseis é definida como um folhelho oleígeno, popularmente chamado de xisto betuminoso.

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