Secas mais longas e intensas virão, indicam novos modelos climáticos

Estudo destaca problemas especialmente na Amazônia, na Austrália, na bacia do Mediterrâneo e na África meridional

Rio Maranoa, em Queensland (Austrália), durante a seca de 2017: país da Oceania deverá ver cenas como essa mais frequência no futuro. Crédito: Chris Fithall/Flickr

Uma análise das novas projeções de modelos climáticos por pesquisadores do Centro de Excelência em Extremos Climáticos do Australian Research Council (ARC) mostra que o sudoeste e partes do sul da Austrália viverão secas mais longas e intensas devido à falta de chuva causada pelas mudanças climáticas. Mas o país da Oceania não está sozinho. Em todo o mundo, várias regiões agrícolas e florestais importantes na Amazônia, no Mediterrâneo e na África meridional poderão esperar estiagens mais frequentes e intensas. Enquanto isso, algumas regiões como a Europa central e a zona da floresta boreal deverão ficar mais úmidas e sofrer menos secas – mas estas, quando ocorrerem, serão mais intensas.

A pesquisa, publicada na revista “Geophysical Research Letters”, examinou dados de seca e chuvas usando a última geração de modelos climáticos (conhecidos como CMIP6), que subsidiará o próximo relatório de avaliação do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) sobre as alterações no clima.

“Descobrimos que os novos modelos produziram os resultados mais robustos para as secas futuras até o momento e que o grau de aumento na duração e intensidade da seca estava diretamente relacionado à quantidade de gases de efeito estufa emitida na atmosfera”, disse Anna Ukkola, pesquisadora associada do ARC e autora principal do estudo.

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Região de Careiro da Várzea (Amazonas), durante a seca de 2005: estiagens mais longas e frequentes adiante. Crédito: James Martins/Panoramio/Wikimedia
Precipitação mais variável

“Houve apenas pequenas mudanças nas áreas de seca em um cenário de emissões intermediárias versus uma trajetória de altas emissões. No entanto, a mudança na magnitude da seca com um cenário de emissões mais altas foi mais acentuada, nos dizendo que a mitigação precoce de gases de efeito estufa é importante.”

Grande parte das pesquisas anteriores sobre secas futuras considerou apenas mudanças na precipitação média como métrica para determinar como as secas mudariam com o aquecimento global. Isso em geral produzia uma imagem altamente incerta.

Mas também se sabe que, com as mudanças climáticas, é provável que a precipitação se torne cada vez mais variável. Combinando métricas de variabilidade e precipitação média, o estudo aumentou a clareza sobre como as secas mudariam para algumas regiões.

Os pesquisadores descobriram que a duração das secas estava muito alinhada com as mudanças na precipitação média, mas sua intensidade estava muito mais ligada à combinação de precipitação média e variabilidade. Prevê-se que regiões com chuvas médias em declínio como o Mediterrâneo, a América Central e a Amazônia experimentem secas mais longas e mais frequentes. Enquanto isso, outras regiões, como as florestas boreais, deverão sofrer secas mais curtas, de acordo com o aumento da precipitação média.

Diferença na intensidade

No entanto, a situação é diferente apenas para a intensidade da seca, com a maioria das regiões projetadas para experimentar secas mais intensas devido à crescente variabilidade das chuvas. É importante ressaltar que os pesquisadores não conseguiram localizar nenhuma região que mostrasse uma redução na intensidade futura da seca. Mesmo regiões com aumentos de longo prazo nas chuvas, como a Europa central, podem esperar secas mais intensas à medida que as chuvas se tornam mais variáveis.

“Prever mudanças futuras na seca é um dos maiores desafios da ciência climática, mas, com essa última geração de modelos e a oportunidade de combinar diferentes métricas de seca de uma maneira mais significativa, podemos obter uma visão mais clara dos impactos futuros das mudanças climáticas”, disse Ukkola.

“No entanto, embora essas ideias se tornem mais claras a cada avanço, a mensagem que elas entregam permanece a mesma – quanto mais cedo agirmos na redução de nossas emissões, menor será o sofrimento econômico e social que enfrentaremos no futuro.”

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