Segundo estudo mundial, cloroquina aumenta risco de arritmia cardíaca

Mortalidade dos pacientes de covid-19 tratados com protocolos envolvendo o medicamento foi bem maior do que a daqueles que não o usaram; autores consideram que novas pesquisas são necessárias para um veredito final

Estrutura tridimensional da cloroquina: aplicada à covid-19, substância voltou a não mostrar eficiência em estudo com hospitais de todos os continentes. Crédito: BaptisteGrandGrand/Wikimedia

Um artigo científico publicado hoje (22) na revista médico-científica “The Lancet” afirmou que não houve melhora significativa na condição de saúde de pacientes medicados com quatro protocolos diferentes de cloroquina e hidroxicloroquina.

Feita por um grupo de cardiologistas, a pesquisa teve como foco identificar arritmias cardíacas e mortalidade hospitalar em pessoas sob o efeito dos medicamentos. O estudo foi realizado em um grupo multinacional de pacientes espalhados por 671 hospitais do mundo. Ao todo, 96.032 pacientes participaram dos testes, dos quais cerca de 15% (14.888 pessoas) foram medicados.

Protocolo 01 – Apenas cloroquina Protocolo 02 – Cloroquina e antibióticos Protocolo 03 – Apenas hidroxicloroquina Protocolo 04 – Hidroxicloroquina e antibióticos
1.868 pacientes 3.783 pacientes 3.016 pacientes 6.221 pacientes

 

De acordo com a pesquisa, a mortalidade nos grupos que usaram as diferentes variações de protocolo baseadas na cloroquina ficou em 9,3% – acima do número do grupo de controle, as outras 81.144 pessoas. Nesse grupo, que não foi medicado da mesma maneira, a taxa ficou em 0,3%.

LEIA TAMBÉM: Cloroquina pode tratar o coronavírus? Confira

De acordo com o artigo, condições de saúde preexistentes, como diabetes, doenças cardíacas, índice de massa corporal (IMC), doenças pulmonares e tabagismo não foram consideradas, já que poderiam influenciar nos resultados.

Apesar da indicação de ineficácia dos protocolos que usam combinações de cloroquina e hidroxicloroquina, os autores do levantamento afirmam que a análise ainda não é definitiva, e que mais estudos serão necessários para o diagnóstico final do uso das drogas.

Substâncias

Metabolizada pelo fígado, a cloroquina já é uma droga conhecida e regulada por instituições de saúde mundiais. A substância foi patenteada há cerca de 70 anos, e tem o uso comprovadamente eficaz no combate à malária, artrite reumatoide e nos sintomas de doenças autoimunes, como lúpus. A variação mais nova da cloroquina, a hidroxicloroquina, pode ser tomada por mulheres gestantes, mas provoca efeitos adversos, entre eles náusea, vômitos e, em casos mais severos, arritmia cardíaca.

Estrutura tridimensional da cloroquina: aplicada à covid-19, substância voltou a não mostrar eficiência em estudo com hospitais de todos os continentes. Crédito: BaptisteGrandGrand/Wikimedia

Veja também

+ Invasão de vespas assassinas aumenta tensão com 2020 nos EUA
+ Anticoagulante reduz em 70% infecção de células pelo coronavírus
+ Assintomáticos: 5 dúvidas sobre quem pega o vírus e não tem sintomas
+ 12 dicas de como fazer jejum intermitente com segurança