Ser otimista favorece viver 85 anos ou mais, revela pesquisa

Estudo americano baseado em décadas de pesquisa indica que o otimismo pode aumentar em mais de 50% nossas chances de viver pelo menos até 85 anos

Atingir a "longevidade excepcional" fica mais fácil se a pessoa é otimista. Foto: Max Pixel

Pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston, do Centro Nacional de Transtorno de Estresse Pós-Traumático do VA Boston Healthcare System e da Escola T.H. Chan de Saúde Pública da Universidade Harvard descobriram que indivíduos mais otimistas têm maior probabilidade de alcançar “longevidade excepcional” – ou seja, viver até 85 anos ou mais. Otimismo, no caso, refere-se a uma expectativa geral de que coisas boas vão acontecer ou acreditar que o futuro será favorável, porque podemos controlar resultados importantes.

O estudo, publicado ontem (26 de agosto) na revista “Proceedings of National Academy of Sciences”, foi baseado em dados de pesquisas coletados de 69.744 mulheres e 1.429 homens. Ambos os grupos completaram as perguntas da pesquisa para avaliar seu nível de otimismo, bem como sua saúde geral e hábitos, como dieta, tabagismo e uso de álcool. As mulheres foram seguidas por 10 anos, e os homens, por 30 anos.

Ao compararem as pessoas com base em seus níveis iniciais de otimismo, os pesquisadores descobriram que os homens e mulheres mais otimistas demonstraram, em média, de 11% a 15% mais tempo de vida e tinham 50% a 70% mais chances de atingir 85 anos de idade em comparação com os grupos menos otimistas. Os resultados foram mantidos após a contabilização de idade, fatores demográficos, como nível de escolaridade, doenças crônicas e depressão, e comportamentos de saúde, como uso de álcool, exercícios, dieta e atendimentos ambulatoriais.

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Recuperação mais eficaz

“Este estudo tem uma forte relevância para a saúde pública porque sugere que o otimismo é um desses ativos psicossociais que tem o potencial de estender o tempo de vida humano”, diz a principal autora do estudo, Lewina Lee, professora assistente de psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de Boston. “Curiosamente”, acrescenta, “o otimismo pode ser modificável usando técnicas ou terapias relativamente simples”.

Os cientistas observam que ainda não está claro como exatamente o otimismo ajuda as pessoas a alcançar uma vida mais longa.

“Outras pesquisas sugerem que pessoas mais otimistas podem ser capazes de regular emoções e comportamentos, bem como se recuperar de fatores de estresse e dificuldades de modo mais eficaz”, diz a coautora sênior do estudo, Laura Kubzansky, de Harvard.

Os pesquisadores também consideram que pessoas mais otimistas tendem a ter hábitos mais saudáveis, como maior probabilidade de praticar mais exercícios e menor probabilidade de fumar. Essa característica pode estender a expectativa de vida.

“A pesquisa sobre a razão pela qual o otimismo é importante ainda está por fazer, mas a ligação entre otimismo e saúde está se tornando mais evidente”, diz Francine Grodstein, outra coautora sênior, de Harvard e do Brigham and Women’s Hospital.

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