Sheila Waligora

Sheila Waligora, veterinária formada pela USP, explica como a comunicação com os animais e com outras formas de vida pode ajudar o ser humano

, veterinária formada pela USP, explica como a comunicação com os animais e com outras formas de vida pode ajudar o ser humano

Podemos realmente nos comunicar com outras espécies? Transmitir-lhes uma mensagem e receber uma resposta clara? Como abrir os canais para essa comunicação? , veterinária, autora do livro Eu Falo, Tu Falas… Eles Falam – Guia para Comunicação entre Espécies, recém-lançado pela Editora Irdin, responde a essas perguntas nesta entrevista a PLANETA. Sheila dedica-se a divulgar a comunicação entre espécies com o objetivo maior de expandir a consciência do ser humano em relação aos reinos mineral, vegetal e animal.

Qual é a sua Formação?

Sou veterinária formada pela Universidade de São Paulo. Sempre me interessei por veterinária. Fui morar no campo, onde começamos a criar animais. Com o tempo, passei a plantar frutas, plantas medicinais e, espontaneamente, falava com as plantas. Aflorou em mim um imenso amor pelas plantas e por toda a natureza que me envolvia e me vi conversando e me relacionando com elas como amigas. Fui fazendo uma série de experiências e acabei pesquisando sobre abelhas, macacos, plantas, terapias alternativas, homeopatia, alimentação natural para animais. Criei abelhas, produzindo mel e artigos apícolas, aprendi a adestrar cavalos com doma racional, e essa comunicação com os animais, que surgiu de uma forma muito espontânea, foi se intensificando e se aprofundando.

Seu interesse pelos animais surgiu na infância?

Eu era completamente fascinada pelos animais e tinha uma conexão natural com eles, o que na verdade acontece com muitas crianças. A sociedade e a educação acabam inibindo essas capacidades, mas agora, na Era de Aquário, elas já estão sendo encaradas com mais naturalidade.

A criançada está mais sintonizada com essas conexões mais sutis?

A nossa natureza está em união com todas as formas de vida. Todas. O homem moderno perdeu isso e agora se percebe separado dos outros seres, mas em nossa essência originariamente sempre estivemos conectados com todas as formas de vida, com todos os reinos. Agora estamos nos reconectando por intermédio de diversas áreas de conhecimento. Vejo as pessoas falando e ensinando a mesma coisa que eu digo, a partir de outros pontos de vista. Mas este será o nosso futuro: vamos nos comunicar sem precisar falar nada. Nos tornaremos mestres em telepatia.

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Como você aborda a telepatia e a intuição no seu trabalho?

No livro, eu conecto a intenção com a intuição. Quando vou ensinar sobre a comunicação telepática, falo sobre a visão do biólogo inglês Rupert Sheldrake, que conseguiu mostrar que existe comunicação telepática entre seres humanos e animais, mostrando também que a intuição nada mais é que nossa capacidade de acessar os nossos cinco sentidos de uma forma expandida. Alguns dizem que a intuição é o sexto sentido. Para mim, é uma percepção mais sutil, mas que também chega pelos cinco sentidos.

Quando alinhamos o que está no nosso coração com aquilo que queremos verbalizar, conseguimos nos fazer entender muito mais facilmente. Nesse sentido, é muito importante frisar que não é só na comunicação com os animais, mas principalmente na de humanos com humanos. A comunicação verdadeira e efetiva vem de um alinhamento entre aquilo que sentimos e aquilo que pensamos. Na nossa vida moderna, na qual nos sentimos separados uns dos outros, com frequência temos dificuldade de exprimir aquilo que realmente sentimos e pensamos. Temos de “maquiar” nossas palavras, pois algumas coisas não podem ser ditas.

Com os animais, no entanto, esses problemas não acontecem. Quem tem animais e convive com eles sabe disso. Eles olham dentro dos seus olhos e se conectam com o seu coração. Eles se conectam com a sua intenção e, por isso, você não pode enganá-los com palavras. Exemplo: a pessoa entra em uma casa, vê um cachorro, exclama “que bonitinho!” e o animal rosna para ela! Ele percebeu que a pessoa está com medo e, quando a pessoa tem medo, o animal logo percebe.

Essa comunicação se processa pela via emocional?

Sim, exatamente. No livro Cães Sabem Quando Seus Donos Estão Chegando, de Rupert Sheldrake, ele descreve detalhadamente a teoria dos campos mórficos, que norteia muitos trabalhos modernos, afirmando que as pessoas que têm uma relação afetiva estão unidas por um campo que não depende do tempo e do espaço e a comunicação circula por esse campo.

Esse campo é “elástico”, pois duas pessoas se comunicam por meio dele até mesmo a grande distância física. A telepatia fica mais fácil de ser compreendida dentro dessa teoria. Alguns cientistas convencionais ingleses tentaram desacreditar essa teoria, argumentando que os cães agem dessa forma só por condicionamento.

Sheldrake afirmou o contrário e desconstruiu essa crítica. Ele fez um experimento filmado, mostrando que o animal captava a intenção do dono, ou seja, quando este tomava a decisão de ir para casa, o animal, mostrado pela câmera, já se dirigia à porta da casa. Portanto, isso não é um condicionamento, e sim uma conexão pelo coração. Quem pratica essa forma de comunicação percebe claramente essa realidade.

No início, esse trabalho sempre desperta muita curiosidade, porque se relaciona com algo que já está dentro da pessoa e, conforme ela vai absorvendo o objetivo desse aprendizado, aprende também a “curar” as suas relações com o mundo animal e com os reinos da natureza como um todo.

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Não seria o caso de se redimensionar o conceito de cura sob a luz dessas descobertas?

Estamos entrando numa nova era, em que existe a ideia de evoluir, progredir e crescer em várias dimensões e junto com os outros reinos naturais, não mais explorando o mundo e a Terra apenas em nosso benefício.

Na Era de Aquário, poderemos evoluir sem agredir os outros reinos da natureza, mas estando em sintonia com eles. Por exemplo, não precisaremos mais extrair recursos naturais além daqueles que nos são realmente necessários. Poderemos crescer trabalhando juntos com essas inteligências dos reinos animal, vegetal e mineral, e com os quatro elementos: fogo, ar, terra e água.

Sua visão de mundo é holística e espiritual. Como ela se concilia com os conhecimentos e as experiências da ciência moderna?

Desde 1920, vem surgindo uma leva de cientistas – Werner Heinsenberg, Niels Bohr e Fritjof Capra, entre outros – com uma outra proposta ou uma nova maneira de fazer ciência. Os parâmetros sobre o quais se baseava a ciência antiga já não são mais os mesmos. Antes, a amostragem precisava ser muito alta para ter credibilidade. Por exemplo, Rupert Sheldrake, que é um expoente na biologia, tem outras bases para seus experimentos científicos. Ele considera que se num grupo humano há meia dúzia de pessoas que possuem uma experiência semelhante, essa é uma amostragem significativa e suficiente para um estudo ou pesquisa.

Fala-se muito do encontro da ciência com a espiritualidade.

A ciência da qual eu falo não é convencional. Ela é arejada, assenta-se sobre novas bases e, como tudo o que é novo, ainda é combatida pelos antigos cientistas. É uma nova lente, uma nova visão da realidade tentando se instalar e romper resistências. Observamos isso em vários outros campos da ciência – na química, na física, na biologia, por exemplo. Isso não é novo, ocorre pelo menos desde 1920. A mudança das eras, contudo, se processa de forma muito mais lenta, assim como a mentalidade e as inovações relativas a elas.

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Hoje, a espiritualida de anda de mãos dadas com outras formas de conhecimento. A tendência atual é o estudo transdisciplinar.

Sim, mas ainda estamos muito atrasados! Como falar em espiritualidade como sendo algo separado da matéria? A vida, o próprio ato de respirar, já são coisas espirituais. Sobre a Terra convivem os mais diferentes níveis e estados de consciência. Alguns são materialistas, não acreditam em nada. Outros, mais abertos, permeáveis. Existem consciências que trafegam em vários níveis, tanto nos planos mais sutis quanto nos mais densos. Existe, por fim, a vontade renovada de buscarmos saber como vai ser essa nova vida aqui no nosso planeta Terra.

Você considera urgente a integração do sagrado à natureza como um todo?

Todas essas questões são muito importantes e precisamos refletir em profundidade a respeito delas. O ser humano vem fazendo progressos maravilhosos. Entretanto, precisa aprender, a partir de agora, a progredir junto com as outras espécies, aprender a pensar na repercussão do progresso sobre o meio ambiente e sobre as outras espécies. O verdadeiro progresso é aquele que beneficia todos os seres, sem exceção. Talvez isso resulte em avançarmos mais lentamente, mas nos divertindo mais, consumindo menos e acumulando menos.

Seu trabalha preconiza então que o progresso aconteça no respeito profundo à natureza?

Sim, mas isso não é tão novo assim. Ao longo dos séculos, fomos desrespeitando todas as formas de vida como se não soubéssemos que o divino está presente em tudo e em todos. Muitas pessoas desrespeitam a natureza, mas não o fazem por maldade, e sim por falta de consciência, por carregarem uma consciência que ainda não se expandiu, não desabrochou. Tais pessoas ainda não acordaram, precisam abrir certos canais para perceber melhor o que jaz adormecido dentro delas.

Jesus falava sobre os animais, afirmando que os animais são seres divinos, tudo é divino. Estamos num momento especial para esse despertar. Por meio da comunicação com os animais e com as plantas, a pessoa pode acordar do torpor em que vive, e isso pode transformar toda a sua vida. Afirmo sempre que não existe separação entre o espiritual e o material, e que os animais e as plantas são vias de acesso para esse caminho, para essa abertura.

São Francisco de Assis seria um arquétipo dessa visão mais espiritual da vida?

Com certeza! São Francisco, Buda, Jesus são seres inspiradores para todos nós. Muitas pessoas percebem aos poucos que podem viver com menos. Percebem que, quando estão anestesiadas e se deixam influenciar por forças materiais, consomem de modo insustentável para o planeta. Mas se essas mesmas pessoas estiverem mais atentas àquilo que fazem, e menos carentes sobretudo do ponto de vista afetivo, poderão consumir menos. Especialmente nas grandes cidades, o indivíduo fica meio sedado, fica menos em contato com o seu interior e com a voz de sabedoria que emana dele.

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“O reconhecimento de que nosas mentes vão além dos cérebros nos liberta. Não estamos mais presos aos limites das caixas cranianas, com mentes separadas e isoladas umas das outras. Não estamos mais alienados de nosos corpos, do noso ambiente e das outras espécies. Estamos todos interconectados com tudo o que existe” Rupert Sheldrake

Como achar o silêncio num mundo tão barulhento?

Para mim, a maior e melhor porta de entrada é o silêncio. Há todo um universo que se descortina quando você entra no espaço do silêncio e a minha comunicação com os animais flui neste espaço. Claro, outras pessoas podem alcançar o mesmo objetivo, porém de modos diferentes. No silêncio, você acessa o sutil, a sua percepção se aguça e você percebe a si mesmo de uma forma completamente diferente. Ensino aquilo que pratico: ensino as pessoas a fazer algum tipo de meditação, pode ser andando, sentado, como quiser.

O interesse crescente pelos animais espelha os anseios da nossa alma esvaziada. Eles não pedem nada em troca da nossa interação com eles. Além de grandes amigos, eles são nossos companheiros de jornada espiritual.

SERVIÇO

Eu Falo, Tu Falas… Eles Falam, Editora Irdin www.sheilawal.wordpress.com e waligora@gmail.com

Sites: www.veterinariosnodiva.com.br e http://suprememastertv.com/pt

 

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