Site apoiado pelo Google reúne imagens de animais feitas por armadilhas fotográficas

Lançado em dezembro, o Wildlife Insights já é o maior banco de fotos do gênero, com mais de 4,5 milhões de imagens, e pode ser acessado por qualquer pessoa

Hiena flagrada por armadilha fotográfica na Namíbia (sudoeste da África) em foto do WWF: acessível na nova plataforma. Crédito: Will Burrard-Lucas/WWF-US

Um novo site apoiado pelo Google dá a qualquer pessoa no mundo o acesso a milhões de fotos de animais selvagens tiradas por armadilhas fotográficas, informou a rede noticiosa CNN.

Pesquisadores da área costumam usar tais armadilhas para fotografar remotamente a vida íntima dos animais. Um sensor instalado nessas câmeras fixas é acionado por calor ou movimento, o que permite aos pesquisadores monitorar os animais sem perturbá-los.

As armadilhas podem ser implantadas durante meses, e às vezes fazem centenas de milhares de imagens. Mas, como observa Jorge Ahumada, cientista da Conservation International (organização ambiental sem fins lucrativos), essas imagens, e as informações valiosas que revelam, normalmente ficam no disco rígido dos pesquisadores, indisponíveis para outras pessoas.

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Ahumada começou a mudar esse quadro ao criar uma plataforma online onde os pesquisadores pudessem compartilhar suas fotos. Lançado em dezembro, o Wildlife Insights (que tem Ahumada como seu diretor executivo) já é o maior banco de dados de armadilhas fotográficas do mundo, hospedando mais de 4,5 milhões de imagens. A ideia, apoiada por organizações como o World Wildlife Fund (WWF), é incentivar a colaboração entre biólogos e organizações de conservação da vida selvagem e trazer imagens de armadilhas fotográficas à tona nos esforços de conservação.

Trabalho facilitado

Além de disponibilizar imagens para outros pesquisadores, o site usa inteligência artificial (IA) projetada pelo Google para superar um problema importante com esses tipos de fotos, ressalta Ahumada. As armadilhas das câmeras produzem um número astronômico de imagens para análise, observa ele, muitas das quais são imagens em branco nas quais a câmera foi acionada pelo ambiente, e não pela vida selvagem. Classificar e excluir manualmente essas fotos constituem uma tarefa trabalhosa.

Para contornar essa dificuldade, depois que alguém carrega imagens no banco de dados do Wildlife Insights, a IA do site verifica se a imagem foi tirada de uma armadilha da câmera e remove automaticamente todas as imagens em branco. Se houver um animal na imagem, a IA identificará as espécies.

Atualmente, a IA reconhece cerca de 450 espécies de animais. Segundo Ahumada, esse número aumentará à medida que mais imagens forem coletadas de diferentes partes do mundo. Ele afirma que o modelo de IA é entre 80% e 95% preciso para cerca de 100 espécies comuns.

“Para imagens identificadas incorretamente pela IA, uma pessoa poderia entrar e arquivar corretamente”, diz Ahumada. “A precisão dessas imagens aumentará com o tempo à medida que mais dados forem coletados”, acrescenta. A esperança é que a IA economize tempo para pesquisadores e torne os programas de conservação mais eficientes.

Versão beta

Além de coletar e revisar as fotos, a plataforma fornecerá análises que poderão revelar tendências na população de espécies para diferentes projetos. Essas informações poderão ajudar os pesquisadores a entender se uma espécie está aumentando seu alcance ou se seu número está em declínio.

O site poderá futuramente agregar as imagens de cada armadilha para fornecer estatísticas e tendências em tempo real do estado das populações de animais em todo o mundo.

O Wildlife Insights ainda está operando em sua versão beta. Por enquanto, qualquer pessoa pode acessar as imagens, mas apenas os parceiros selecionados podem carregar fotos. O plano, porém, é mesmo abri-lo para qualquer pessoa.

No entanto, embora o acesso aberto seja a chave, medidas inseridas na plataforma garantem que tais informações não caiam em mãos erradas. “Você precisará pedir permissão ao Wildlife Insights para obter os locais [das imagens]”, afirma Ahumada. “Esse é um processo de verificação que gerenciaremos com cuidado, porque sabemos que caçadores e outros atores com propósitos nefastos usarão essas informações para encontrar espécies ameaçadas.”

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