Só 3% dos ecossistemas do mundo continuam intactos, diz pesquisa

Remanescentes sem interferência humana estão em partes das florestas da Amazônia e do Congo, na tundra do Canadá e da Sibéria e no Saara

Tundra canadense: um dos pouquíssimos ecossistemas sem interferência humana. Crédito: ADialla/Flickr/Wikimedia Commons

Apenas 3% das terras do mundo permanecem ecologicamente intactas, sem perturbação causada pelos seres humanos, concluiu um estudo feito por pesquisadores europeus publicado nesta semana na revista “Frontiers in Forests and Global Change”. De acordo com a análise, os fragmentos de vida selvagem intocada se concentram principalmente em partes de floresta tropical na Amazônia e no Congo, nas florestas de tundra no leste da Sibéria e no norte do Canadá, além do deserto do Saara.

A conclusão representa uma queda significativa no que se estimava até agora sobre o grau de conservação ambiental da Terra: pesquisas anteriores apontavam que as áreas selvagens cobriam entre 20% e 40% da superfície do planeta. No entanto, essas análises foram feitas a partir de imagens de satélite, que não conseguem detectar outros indícios de degradação ambiental além da derrubada de áreas verdes.

Além das imagens de satélite, a nova pesquisa considerou também dados relativos ao desaparecimento de espécies nativas nessas áreas, o que dá uma visão mais completa sobre o estado delas. Muito do que consideramos como habitat intacto está prejudicado pela ausência de espécies que foram caçadas pelos homens ou perdidas por causa de espécies invasoras e doenças, explicou Andrew Plumptre, principal autor do estudo.

É possível aumentar a área intacta de volta para 20% por meio da reintrodução direcionada de espécies que foram perdidas em áreas onde o impacto humano ainda é baixo, desde que as ameaças à sua sobrevivência sejam eliminadas. Os resultados do estudo foram destacados por “Guardian” e “Veja”.

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