Sociedade de Dermatologia divulga orientações sobre manchas de óleo

Contato deve ser evitado o máximo possível e muitas das medidas tomadas por leigos para tirar o óleo do corpo podem prejudicar ainda mais a saúde, dizem especialistas

Óleo em praia de Sergipe: o trabalho de retirada deve respeitar as orientações médicas. Crédito: Adema/Governo de Sergipe

A Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) divulgou hoje (31 de outubro) um conjunto de orientações sobre os riscos do contato com as manchas de óleo que chegaram às praias do Nordeste e formas de lidar com elas para quem entrou em contato com a substância.

As recomendações visam contribuir para evitar problemas de saúde relacionados à pele, uma vez que milhares de voluntários estão atuando nas praias no apoio às ações de retirada das manchas de óleo, que já atingiram até agora mais de 260 localidades, segundo o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

A entidade recebeu relatos de complicações de saúde sofridas por voluntários em algumas localidades do país. Em Pernambuco, apenas um hospital atendeu 17 pessoas em uma semana com sinais de intoxicação após contato com óleo.

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Segundo a médica dermatologista e membro da SBD Rosana Lazzarini, os cuidados são necessários, pois o contato com o óleo é perigoso e, muitas vezes, as medidas para lidar com ele e retirá-lo do corpo empregadas pelos voluntários podem aprofundar os efeitos negativos sobre a saúde.

Evitar o contato

“É preciso evitar o máximo possível o contato com o óleo. E uma coisa muito importante é não usar os solventes para tirar esse óleo, que é a tendência mais natural. Pessoas podem correr atrás de querosene, ou mesmo gasolina, para tirar o óleo. Isso acaba piorando a situação”, explicou Rosana Lazzarini.

Outra preocupação da SBD é com o uso de luvas de borracha por quem toca o óleo. Embora o contato em si deva ser evitado, caso ele ocorra devem ser utilizados equipamentos de outro material, como nitrila.

A médica reforçou que essas recomendações são importantes dada a quantidade de pessoas que manejaram a substância nas últimas semanas.

“Pessoas não pensam muito nos danos que podem ter. A SBD está preocupada em como a população está entrando em contato com isso, sem proteção nenhuma ou com proteção ineficaz”, acrescentou.

Recomendações médicas

Pessoas com dúvida sobre o tema podem recorrer ao Centro de Informações Toxicológicas do Ministério da Saúde, pelo telefone 0800-722-6001. Veja abaixo as recomendações da Sociedade Brasileira de Dermatologia:

Como se preparar para atuar na limpeza das praias?

Se houver a necessidade de contato com o óleo derramado nas praias, utilize equipamentos de proteção, como óculos, luvas e roupas que cobrem membros superiores e inferiores (mangas compridas e calças).

As luvas mais apropriadas são as de nitrila – em vez das de borracha –, pois apresentam melhor proteção contra óleos, graxas e petróleo. A lavagem imediata após o contato é importante, embora nessas situações nem sempre seja possível.

E se a pele entrar em contato com o óleo cru?

Caso, mesmo com uso de roupas adequadas, ocorra o contato com a pele, ela deve ser lavada com água e sabão.

A aplicação de óleos para bebês, geleia de vaselina ou até mesmo pastas utilizadas por metalúrgicos para remover óleos e graxas facilita a remoção dos resquícios de óleo.

Após a remoção, a aplicação de cremes ou loções hidratantes é importante para melhorar as condições da pele.

Não tente retirar o óleo com o uso de solventes (aguarrás, thinner, óleo diesel, querosene ou gasolina). O efeito do contato com esses produtos aumenta o processo irritativo, piorando a dermatite de contato.

Quais são as ações de prevenção?  

– Evite o contato direto com o óleo, especialmente gestantes e crianças.

– Observe as orientações da vigilância sanitária para o consumo de alimentos, como peixes e mariscos, provenientes das áreas afetadas.

– Não inale vapores gerados pelo óleo.

– Use protetor solar de amplo espectro, com FPS de no mínimo 30.

Em caso de contato com óleo cru, quais os sintomas?

Na fase aguda as reações mais comuns são:

– Sintomas respiratórios, como: irritação e dor de garganta, tosse, respiração mais difícil e coriza

– Irritação e dor nos olhos, coceira e olhos vermelhos

– Dor de cabeça

– Pele irritada e vermelha

– Náusea

– Tonturas

– Fadiga

– Ferimentos e traumas