Sonda da ESA mostra o intrigante cenário do polo norte de Marte

Gelo de água e de dióxido de carbono, fundas depressões e marcas do vento são algumas das características dessa região marciana

Polo norte de Marte: ambiente turbulento. Crédito: ESA/DLR/FU Berlim

A sonda Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA), capturou belas imagens da calota de gelo no polo norte de Marte, com faixas brilhantes de gelo, depressões escuras e sinais de ventos fortes e atividades tempestuosas.

Os polos de Marte são cobertos por camadas empilhadas de gelo que mudam sutilmente de extensão e composição ao longo do ano.

Durante o verão, o polo é permanentemente coberto por grossas camadas de, principalmente, gelo de água; durante o inverno, as temperaturas caem abaixo de -125 graus Celsius e o dióxido de carbono começa a precipitar-se e a se acumular como gelo, criando uma camada adicional mais fina, com alguns metros de espessura. O inverno também traz nuvens de dióxido de carbono, que podem obscurecer as características polares abaixo e dificultar a visão clara da sonda.

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Esta imagem da câmera estéreo de alta resolução (HRSC) da Mars Express sofre muito pouca interferência de obstáculos como cobertura de nuvens e mostra a calota polar do norte durante o verão de 2006.

Sistema de depressões

A paisagem é uma mistura ondulada de cores, dos brancos brilhantes de gelo de água aos vermelhos escuros e marrons da poeira marciana, e exibe vários fenômenos interessantes.

Calhas vermelhas escuras e em tons ocres parecem atravessar a calota de gelo. Elas fazem parte de um sistema mais amplo de depressões que se expandem para fora do centro do polo. Quando visto em uma escala maior, como no mapa de contexto, esse padrão se torna evidente: as ondulações ondulam, dobram-se e seguem para fora em uma direção anti-horária, envolvendo o polo e criando um padrão semelhante às listras de zebra.

Considera-se que essas características em espiral tenham se formado através de uma mistura de processos, sendo o mais significativo a erosão eólica. Pensa-se que os ventos circulam radialmente para longe do centro do polo norte, movendo-se para fora ciclicamente para criar o padrão espiral que vemos.

Esses ventos, conhecidos como ventos catabáticos, movem o ar frio e seco sob a força da gravidade, geralmente originando-se em áreas de altitude mais elevada (como geleiras ou platôs cobertos de neve) e fluindo para áreas mais baixas e quentes, como vales e depressões. Eles são acionados pela força inercial de Coriolis enquanto se movem, o que os leva a desviar-se de um caminho reto e formar o padrão espiral mencionado acima que vemos.

Visíveis à esquerda do quadro estão algumas correntes estendidas de nuvens, alinhadas perpendicularmente a algumas cavidades. Pensa-se que elas sejam causadas por pequenas tempestades locais que levantam poeira para a atmosfera marciana, corroendo escarpas e encostas enquanto o fazem e mudando lentamente a aparência das valas ao longo do tempo.

Informações sobre o passado

Os polos e quaisquer processos ativos que ocorrem nessas regiões são áreas particularmente interessantes de Marte. Essas camadas de gelo contêm informações sobre o passado do planeta, particularmente sobre como o clima evoluiu e mudou nos últimos milhões de anos: o gelo se mistura com camadas de poeira superficial e se instala nos polos norte e sul, capturando uma imagem das características do planeta durante esse período da sua história.

Um dos principais objetivos da HRSC é explorar os vários fenômenos que ocorrem na atmosfera marciana, como ventos e tempestades, e os muitos processos geológicos intrigantes que ocorrem na superfície (e abaixo dela) da superfície do Planeta Vermelho.

Esse objetivo de caracterizar a totalidade do planeta e a sua história será continuado e promovido pela ESA-Roscosmos ExoMars Trace Gas Orbiter, que chegou a Marte em 2016, e pelo rover ExoMars Rosalind Franklin e a sua plataforma de ciências da superfície, que chegarão ao planeta no próximo ano.

Esta imagem foi publicada para coincidir com a Sétima Conferência Internacional sobre Ciência e Exploração Polar de Marte, marcada para a Argentina entre 13 e 17 de janeiro de 2020. Essa é a mais recente de uma série de conferências internacionais e interdisciplinares para compartilhar conhecimento sobre as intrigantes regiões polares do Planeta Vermelho.

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