Sorrir faz a pessoa parecer mais velha – a menos que ela já seja idosa

Pessoas em seus 20 ou 30 anos parecem em média até dois anos mais velhas quando sorriem; já no caso daquelas que têm mais de 60 anos, sorrir não faz diferença nessa avaliação

Acima dos 60, o sorriso já não faz diferença na hora de alguém avaliar a idade da pessoa. Crédito: Andrea Piacquadio/Pexels

Sorrir faz você parecer mais velho, de acordo com pesquisas de neurocientistas da Universidade de Western Ontario (Canadá) e da Universidade Ben-Gurion (Israel). Mas se você já tem mais de 60 anos, sorrir não parece mudar a maneira como sua idade é percebida. O estudo a esse respeito foi publicado na revista Scientific Reports.

Melvyn Goodale, diretor fundador do renomado Instituto do Cérebro e da Mente da Universidade de Western Ontario, e seu colaborador Tzvi Ganel, da Universidade Ben-Gurion, desenvolveram um estudo que aprofundou sua pesquisa anterior, mostrando que sorrir pode fazer as pessoas parecerem um ou dois anos mais velhas do que se mantivessem uma face neutra.

“Os rostos contêm um número incrível de pistas sociais. Entre as muitas dimensões críticas que as pessoas extraem prontamente dos rostos, a idade costuma ser considerada primária”, disse Goodale. “A identificação precisa da idade de uma pessoa é crucial para compreender os papéis sociais e determinar a natureza da interação social.”

Crédito: Universidade de Western Ontario
Influência das rugas

No novo estudo, os participantes viram centenas de fotos de rostos de pessoas entre 20 e 80 anos sorrindo ou com uma expressão neutra. Logo em seguida, os pesquisadores lhes pediam para estimar a idade desses indivíduos.

Os rostos de pessoas mais jovens, na casa dos 20 e 30 anos, eram “fortemente” e “confiavelmente” identificados como parecendo mais velhas quando sorriam. Estes resultados combinaram com os do estudo anterior, que usou apenas fotos de jovens.

Sorrir teve pouco ou nenhum efeito, no entanto, na percepção da idade dos rostos de pessoas com mais de 60 anos. Levando o estudo ainda mais longe, as fotos das pessoas mais velhas (sorrindo e não sorrindo) foram cortadas de forma que apenas seus olhos fossem visíveis. Quando as fotos cortadas foram apresentadas aos participantes, os mesmos rostos agora pareciam mais velhos quando sorriam.

“Isso sugere que as pessoas mais velhas já têm tantas rugas faciais que quaisquer rugas relacionadas ao sorriso fazem pouca diferença em sua aparência geral e na idade percebida”, disse Goodale.

Proeminência

Enquanto as fotografias mais jovens e mais velhas produziram resultados previstos, as descobertas para pessoas de meia-idade (40 a 60 anos) foram complicadas por uma diferença inesperada de gênero, de acordo com Goodale.

Os homens de meia-idade pareciam mais velhos quando sorriam, mas o sorriso não afetava a percepção da idade das mulheres de meia-idade. Isso também pode ser explicado por uma diferença nas rugas relacionadas ao sorriso.

“Não apenas os homens de meia-idade têm mais rugas do que as mulheres de meia-idade – a proeminência dessas rugas ao redor dos olhos aumenta mais quando os homens de meia-idade sorriem do que quando as mulheres de meia-idade sorriem”, disse Goodale.

A razão exata para essa diferença percebida entre homens e mulheres permanece obscura. No estudo, os pesquisadores postulam que existem diferenças anatômicas e fisiológicas bem estabelecidas na pele de homens e mulheres. Há também diferenças de gênero no estilo de vida e nos cuidados com a pele que podem afetar as rugas faciais.

Pouco efeito da maquiagem

A diferença na percepção da idade entre homens e mulheres de meia-idade também teve pouco a ver com o uso de maquiagem. A maioria das pessoas nas fotos não estava usando nenhuma e quando as poucas que estavam usando maquiagem foram removidas da análise, a diferença de gênero no efeito do sorriso na percepção da idade permaneceu.

Independentemente da explicação, esses achados reforçam a ideia de que a presença de rugas ao redor dos olhos é uma boa dica para a percepção da idade – e que a expressão facial pode afetar a proeminência dessas rugas e, consequentemente, a percepção da idade de alguém.

“Essas descobertas são particularmente relevantes na época da covid-19, quando tantas pessoas usam máscaras, deixando apenas nossos olhos visíveis”, disse Goodale.

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